Jornada de Agroecologia resgata lutas históricas dos Camponeses
A abertura da 8ª Jornada de Agroecologia, realizada a partir das 10h desta quarta-feira (27/05), no Parque de Exposições em Francisco Beltrão trouxe presente o resgate das lutas históricas e levantes agrários dos camponeses, como na Guerra do Contestado e na Revolta dos Colonos.
Segundo, o militante da Via Campesina José Maria Tardin, estes são processos históricos de luta dos trabalhadores que têm contribuído como exemplo na luta por um modelo de agricultura de resistência, que prima pela produção de alimentos limpos, livre de transgênicos e sem agrotóxicos. "Ao longo de uma história de luta dos camponeses, no início dos anos 2000, se constitui as condições para criação de uma articulação de vários movimentos e organizações, que lutam pela agroecologia", relata.
Esse processo de articulação da agroecologia, no Paraná é construído a partir da realização da 1ª Jornada de Agroecologia em 2001, na cidade de Ponta Grossa. Para Tardin, durante todos esses anos, as Jornadas de Agroecologia tem se constituído como expressão política e alcançado várias conquistas no plano nacional em internacional.
Com o lema "Terra Livre de Transgênicos e Sem Agrotóxicos: Construindo o Projeto Popular e Soberano para a Agricultura", o debate central do evento traz a discussão da Agroecologia como um projeto alternativo para agricultura e na garantia da soberania alimentar, neste momento de crise econômica. Segundo o coordenador da Terra de Direitos, Darci Frigo, este é um espaço rico para a mobilização, reflexão e para a construção de projetos concretos em relação a agroecologia.
"A agroecologia não é apenas a produção, a agroecologia é um modo de vida que exige coerência nos atos diários, em como nos alimentamos e como tratamos da natureza em todas as suas manifestações", afirma Frigo. Durante a mística de abertura os participantes relembraram a luta dos caboclos do Contestado, que aconteceu em 1900, contra a construção da Estrada de Ferro, ligando São Paulo e Paraná, e a expulsão das terras na divisa dos estados de Paraná e Santa Catarina.
Enfatizando a importância da presença dos Monges na conscientização política dos agricultores, na preservação da água e no respeito à natureza. Os participantes também trouxeram presente a importância da Revolta dos Colonos, que aconteceu na década de 1950, no Sudoeste do estado, contra as companhias de terras que se instalaram na região.
Pegando em armas para lutar pelo direito de continuar produzindo, nas terras onde viviam. Público Até o momento o encontro conta com mais de 2.000 pessoas, que chegaram em caravanas de mais de 50 municípios do estado, além de inúmeras escolas técnicas, casas familiares e universidades. Participam da Jornada: agricultores, camponeses, trabalhadores rurais, pesquisadores, engenheiros agrônomos, ecologistas e estudantes de várias áreas, delegação de agricultores do Paraguai e representantes africanos e cubanos.
A participação dos estudantes de escolas e universidades, segundo os organizados da jornada, é fundamental para a ampliação do debate, e continuidade do processo de construção de um projeto de agricultura voltado para a agroecologia. O evento conta com conferências, palestras e debates, oficinas e seminários, com exposição e apresentação de experiências, feira e festa de sementes e alimentos agroecológicos, para troca e comercialização, além de espaços de promoção da cultura camponesa.
A 8ª Jornada de Agroecologia, promovida por organizações e entidades de agricultores familiares e camponeses, acontece até sábado (30/05), no Parque de Exposições em Francisco Beltrão.
Angela Vargas e Solange Engelmann
Ações: Biodiversidade e Soberania Alimentar
Eixos: Biodiversidade e soberania alimentar


