Dia internacional de Luta das Mulheres reúne campo e cidade em manifestação

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Mais de duas mil pessoas se reuniram nesta quinta-feira (08) para a Marcha das Mulheres do Campo e da Cidade: Por Justiça Social e Ambiental. A manifestação teve início às 9h, na Praça Santos Andrade e encerrou por volta das 12h, na Boca Maldita. O ato integrou as articulações nacionais da Jornada de Lutas das Mulheres do Campo 2012, promovida pelas mulheres da Via Campesina, e agregou cerca de 20 organizações do Paraná, entre movimentos sociais, sindicatos e entidades estudantis.

As principais pautas reivindicadas pelas manifestantes envolveram a luta contra o agronegócio, contra a violência do capital e do patriarcado, contra a aprovação do Novo Código Florestal e contra a economia verde defendida pelo capital na Rio+20. Dessa forma, cada tema citado foi representado por um bloco durante a marcha.

Para as mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o dia 8 de março não representa apenas uma data de festividade, mas também uma jornada de lutas por melhor qualidade de vida, capaz de ampliar o debate entre campo e cidade. “A manifestação mostra para a sociedade que precisamos estar juntas defendendo a biodiversidade, a vida e as sementes, apresentando a agroecologia como alternativa” afirma Solange Pellenz, integrante do MST e uma das coordenadoras da marcha.

Durante a concentração do 1º ato da manifestação, diferentes formas de intervenção foram realizadas. Além da batucada feminista organizada pelas integrantes da Marcha Mundial das Mulheres e do espaço reservado para as falas dos movimentos sociais, estudantes aproveitaram para denunciar a relação machista existente dentro das universidades. “As mulheres sofrem muita pressão dos veteranos quando entram na universidade, fora as dificuldades que enfrentam no caso de gravidez, por falta de assistência estudantil”, comenta Tainá Risu, da União Paranaense dos Estdantes (UPE).

A participação política da mulher também foi trazida para debate pelas organizações feministas que estiveram presentes na marcha. Neuza Antunes, do Coletivo Dente de Leão e da Marcha das Vadias, lembra que a participação das mulheres nas instâncias de poder é desproporcional ao eleitorado feminino, que representa mais de 50% dos votos. “Como o dia 8 de março é um momento em que a mulher tem visibilidade, aproveitamos a marcha para reivindicar mais respeito e igualdade, já que somos mais da metade da população”.

Por volta das 11h, teve início o 2º ato da manifestação, em que os temas saúde e direitos sexuais reprodutivos, mercantilizarão do corpo da mulher e violência foram abordados. O 3º ato ocorreu durante o encerramento da marcha e englobou temas como soberania alimentar, justiça ambiental e os megaeventos esportivos.

No período da tarde, cerca de cem mulheres do MST participaram de uma audiência na Secretaria de Estado da Educação (SEED) para a entrega da pauta de reivindicações. Entre as demandas centrais do documento estavam os investimentos e apoio à educação no campo, com a construção de 25 escolas, educação especial para jovens e adultos e a melhoria das merendas e do pagamento dos professores. Outro item da pauta reivindicava a construção e conservação física de Escolas Itinerantes nos acampamentos.

Para uma das integrantes do MST e coordenadora da marcha, Maria Salete Back, as atividades e manifestações do Dia Internacional de Luta das Mulheres significou um momento de união de forças. “Esse dia não é só da mulher, mas dela no coletivo. É com essa força, unindo o campo e a cidade, que traremos visibilidade para aquilo que exigimos e desejamos transformar”, afirma Salete.

Reportagem e fotos de Camila Pinheiro Hoshino, integrante do coletivo de comunicação da Marcha do 8 de Março

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