Assassinato de José Claudio e Maria do Espírito Santo completa um ano

Obra de Javier Guerreiro Meza

Obra de Javier Guerreiro Meza

Dados indicam aumento da violência em conflitos por terra no Pará: quase 40% dos assassinatos relacionados a esses conflitos em 2011 no Brasil ocorreram no estado.

O assassinato do casal de ambientalistas José Claudio e Maria do Espírito Santo, em Nova Ipixuna/PA, completa um ano no dia 24 de maio, sem que os principais suspeitos fossem julgados ou presos. Apensas três pessoas foram presas: José Rodrigues Moreira, como mandante do crime, e Lindonjonson Silva e Alberto Lopes, como executores. Segundo nota divulgada ontem pela CPT de Marabá/PA, escutas realizadas pela Polícia Federal identificaram que Genivaldo Oliveira Santos e Gilvan, proprietários de terras no interior do Assentamento Praia Alta Piranheira, município de Nova Ipixuna, também teriam participação no crime.

A grande repercussão nacional e internacional provocada pela morte dos extrativistas forçou o Governo Federal a determinar que o IBAMA intensificasse a fiscalização na região para conter o desmatamento da floresta. Segundo a nota divulgada pela CPT, fornos de fabricação de carvão foram destruídos e serrarias ilegais do município fechadas.

Apesar disso, a nota aponta falha do INCRA no que diz respeito à retomada de terras compradas ilegalmente no interior do Assentamento Praia Alta Piranheira. Nem mesmo a área comprada ilegalmente e que resultou no assassinato do casal de extrativistas foi retomada pelo INCRA.

Atuação com interesses partidários e eleitorais e falta de recursos tornam o INCRA inoperante na região, é o que aponta avaliação da CPT. Faltam recursos para infraestrutura, projetos e assistência técnica. Por outro lado, é notório o investimento de recursos do Governo Federal em grades projetos, como hidrelétricas, hidrovias, portos e na siderurgia. Como conseqüência do avanço da fronteira de exploração ao interior da Amazônia, estão em risco áreas indígenas, terras de ribeirinhos, comunidades quilombolas, os assentamentos de reforma agrária e as áreas de proteção ambiental.

Pará no topo dos crimes do campo

Dados da CPT  indicam aumento da violência em conflitos por terra no Pará: quase 40% dos assassinatos relacionados a esses conflitos em 2011 no Brasil ocorreram no estado. Relatório divulgado no início de maio pela CPT aponta 29 crimes de assassinato envolvendo conflitos no campo no ano passado, 16 deles no Norte do país, sendo 12 só no estado do Pará. A Região também concentra os maiores índices de conflitos, ameaças e despejos violentos.

No que diz respeito ao número de conflitos e de famílias envolvidas, também houve aumento expressivo na região Norte: 258 conflitos, envolvendo 20.746 famílias em 2010; 307 conflitos e 27.111 famílias envolvidas em 2011, mais 19% no número de ocorrências, e 30,7% no de famílias envolvidas.

Homenagem

Para relembrar a memória do casal extrativista e cobrar punição de todos os responsáveis, a Associação do Assentamento Praia Alta Piranheira, o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Nova Ipixuna – STTR, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura – FETAGRI e a CPT de Marabá, organizaram  um ato no interior do Assentamento.

No Paraná, o artista Javier Guerreiro Meza produziu um quadro, a partir da técnica do mosaico, com a imagem dos dois extrativistas assassinados. A obra teve contribuição de militantes do MST/PR na colagem das peças. Por indicação do artista, a obra foi enviada ao Assentamento onde o casou foi assassinado.

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Linhas de atuação: Justiciabilidade dos direitos humanos e democratização da justiça