Brasil de Fato | MST acampa em frente ao Incra, em Curitiba

Superintendente do Incra Paraná, Nilton Bezerra Guedes, foi exonerado do cargo na manhã desta quarta-feira (8). 
Fonte: Brasil de Fato
Por Ednubia Ghisi

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O Incra tem que ser gerido por funcionários de carreira, pessoas comprometidas com a reforma agrária. Não pode ser um espaço de lotação política”, garante Diego Moreira, integrante da direção estadual do MST / Geani Paula

Cerca de mil trabalhadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST montam acampamento em frente ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, na rua Dr. Faivre, na manhã desta quarta-feira (8). O Movimento chega ao local após marcha pelo Centro da cidade, iniciada às 8h, na Praça 29 de Março. O ato integra o calendário da Mobilização Nacional do Campo e da Cidade contra o golpe, articulada pela Frente Brasil Popular, da qual o MST faz parte.

A exoneração do superintendente do Incra Paraná, Nilton Bezerra Guedes, divulgada hoje no Diário Oficial da União, também é questionada pelo Movimento. Omar Guilherme Gauza Filho, funcionário de carreira do órgão e que já ocupava o cargo de superintendente substituto, assume interinamente a superintendência. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, ainda não há informações oficiais sobre quem assumirá o cargo em definitivo.

Nilton Bezerra Guedes diz que a indicação do governo estadual, por meio da Casa Civil, é para a nomeação de Edson Vagner, servidor da Polícia Federal. Na avaliação do ex-superintendente, caso se confirme esta indicação, os setores que assumiram o governo federal reforçam a contradição entre o discurso e a prática, uma vez que acusava o governo anterior de usar os cargos públicos para fins políticos, sem considerar o mérito. “Este é um governo demagógico, hipócrita, que falou uma coisa nas ruas, e agora está fazendo outra coisa na prática”.

Servidor do Incra desde 2004, Guedes ocupou a superintendência por seis anos. Neste período, assumiu postura de diálogo com os movimentos do campo e de destinação para reforma agrária de terras griladas ou com dívidas. “Eu espero que a minha substituição não seja uma resposta aos setores conservadores do estado, que não querem reforma agrária, nem seja para tratar os movimentos sociais como inimigos”.

Para Diego Moreira, integrante da direção estadual do MST, a exoneração é continuidade da política golpista executada pelo governo interino de Michel Temer (PMDB) “Queremos a valorização do Incra e dos funcionários do órgão. O Incra tem que ser gerido por funcionários de carreira, pessoas comprometidas com a reforma agrária. Não pode ser um espaço de lotação política”, garante. Segundo informações do MST, cerca de 10 mil famílias estão acampadas, em mais de 300 áreas, no Paraná.

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