A resistência negra que vem do ‘interior’: lideranças quilombolas se reúnem no Paraná

2 Encontro Estadual Lideranças Quilombolas Paraná

Lideranças de mais de 30 comunidades quilombolas do Paraná estiveram reunidas em Curitiba, entre os dias 16 e 19 de novembro. Cerca de 120 pessoas entre convidados de outros estados, estudantes e representantes de organizações parceiras participaram do 2° Encontro Estadual de Lideranças Quilombolas do Paraná.

A atividade promoveu a troca de experiências e de conhecimentos entre homens, mulheres, jovens, adultos e técnicos/as que possuem experiências  exitosa no trabalho com as comunidades. O Encontro também buscou criar um planejamento das ações em conjunto entre a Federação Estadual das Comunidades Quilombolas do Paraná (Fecoqui) e o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) para o ano de 2017.

Durante os dias de evento, foi eleita a nova coordenação da Fecoqui Paraná, que agora passa a ter como Coordenador Geral, Alcione Ferreira da Silva, liderança Quilombola da Comunidade Maria Adelaide Trindade Batista, município de Palmas. Ele destaca a importância da atividade para reforçar a luta quilombola no estado e no país, e fala sobre a composição da nova diretoria. “É diretoria composta por jovens de todos os gêneros e por pessoas já com uma caminhada na luta, para corrermos atrás dos nossos objetivos, como a titulação de nossos territórios e outras políticas publicas para atendermos todas as comunidades quilombolas do Paraná”.

Outra novidade é a criação de uma nova forma de organicidade dentro da Fecoqui, que agora se divide Territórios pelas regiões do Paraná. Essa nova organização permitirá uma maior articulação e visibilidade às lutas das comunidades no interior do estado em suas regiões.

Isabela da Cruz, quilombola e uma das organizadoras do evento, fala sobre o caráter de resistência da atividade. “Vivemos um momento politicamente conturbado no país, mas os quilombos sempre resistiram, sobretudo às mudanças econômicas e políticas que afetam diretamente a vida nas nossas comunidades. Se existem comunidades com mais de 200 anos no Brasil – e no Paraná não é diferente- , é sinal de que o Movimento Quilombola já está (auto)-organizado há muito tempo. Mas ainda há muito o que fazer, sobretudo na formação da juventude quilombola que vem por aí, cheia de garra e disposição.”

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Linhas de atuação: Terra, território e equidade sócio-espacial