Vice-presidente da FOQS, Cleide Vasconcelos, grava CD de músicas autorais no próximo sábado

Em letras e músicas autorais, a quilombola escreve aquilo que vê e vive: a situação de negras e negros no Brasil, a luta pela titulação dos territórios quilombolas e a força da mulher quilombola. A gravação de seu primeiro CD acontecerá neste sábado, no quilombo Bom Jardim.

Por Assessoria de Comunicação Terra de Direitos

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Além das atribuições como vice-presidente da Federação das Organizações Quilombolas de Santarém (FOQS) e coordenadora do grupo de mulheres quilombolas “Na raça e na cor”, que é o nome de uma de suas músicas, Ana Cleide da Cruz Vasconcelos, conhecida como Cleide Vasconcelos é cantora e compositora da comunidade remanescente Quilombo de Arapemã.

Há duas décadas militando pela pauta quilombola, Cleide viu na música uma forma de fortalecer a organização de mulheres e homens que lutam pela efetivação de seus direitos e por seus territórios. Criada em Belém, a vice-presidente da FOQS conta que a música esteve entre seus interesses desde menina, mas começou a compor e cantar as próprias música quando retornou a seu quilombo.

Baseadas em seu dia-a-dia e vivência nas comunidades, as músicas de Cleide são retratam a vida e cultura dos quilombos através de letras provocativas e inspiradoras. “Minha primeira música, ‘Negra nagô’, é assim: eu sou negra nagô, no sangue na raça e na cor. Quem foi que disse que negro não tem valor, que negro não tem sentimento, que negro não sente dor?”, cantarolou.

“Comecei a reparar na situação do negro, que sempre foi muito mal tratado, muito humilhado. Então comecei a escrever sobre o que as outras pessoas falam pros negros”, relembra a quilombola que no próximo sábado (11) fará a gravação de seu primeiro CD.

Gravação do CD e a organização das mulheres quilombolas

IMG_1686A vontade de gravar as próprias músicas vem de muito tempo mas, segundo a quilombola, esse desejo só se tornou uma possibilidade devido ao incentivo das mulheres das comunidades de Santarém. “Pra mim tá sendo muito bom porque são as mulheres que tão me dando esse apoio, foi o grupo de mulheres que me incentivou e disse que queria que eu gravasse”, afirma.

Sobre a condição das mulheres na cultura quilombola, Cleide acredita que o estigma sobre a mulher negra ainda é muito forte e prejudicial para as mulheres quilombolas. Além da violência doméstica, face mais escancarada no machismo, Cleide conta que muitas são impedidas pelos maridos de participar das atividades do movimento. “Tem muitas que aos poucos estão se soltando, mais ainda falta muito e a trava para isso são os maridos”, avalia.

Se preparando para a gravação do CD, que acontecerá no próximo sábado (11), no quilombo Bom Jardim, Cleide dedica a gravação de seu primeiro CD às mulheres quilombolas, “Vou fazer a vontade dessas mulheres e gravar essas músicas dedicadas à elas”, destacou.

Sobre a distribuição do CD, Cleide ainda não tem planos, mas o mais importante pra ela é que as mensagens de suas músicas sejam transmitidas. “Vou me sentir muito feliz quando alguém tiver cantando a Cleide por aí”, finalizou a cantora e compositora.

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