por Jeane Freitas- Jornalista da Adital
Diversas entidades sociais e ambientais de Pernambuco, região do Nordeste brasileiro, realizaram nesta tarde (11), no Auditório da Procuradoria Geral de Justiça, em Recife, uma audiência pública para debater o uso de agrotóxicos no Estado.
A utilização do agrotóxico e suas consequências para a saúde daqueles que os consomem e dos trabalhadores que os manejam foram o tema principal da atividade, fruto da mobilização de entidades como Centro Sabiá, Via Campesina, Terra de Direitos, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entre outros.
De acordo com Jackeline Florêncio, advogada da ONG Terra de Direitos, o evento buscou debater com a sociedade em geral os impactos que o uso dos agrotóxicos provocam ao meio ambiente e à saúde das pessoas, principalmente aos trabalhadores rurais que cultivam e consomem produtos contaminados sem saber.
Para a advogada, a audiência também teve como intuito “chamar a atenção de todos para um modelo de vida alternativo, orgânico e ecologicamente correto”. Hoje, segundo pontuou Jackeline, diversas empresas em todo Brasil fazem uso indiscriminado de agrotóxicos por uma questão econômica sem avaliar os riscos.
Quem está exposto ao contato com essas substâncias pode sofrer de enxaqueca, náuseas, irritação na pele, fadiga, deformidades no feto, distúrbios emocionais, além de doenças mais graves como câncer. O uso indiscriminado dos agrotóxicos acarreta ainda na contaminação do solo, dos lençóis freáticos e dos corpos hídricos.
Para tentar impedir que cada vez mais pessoas sejam afetadas por estas enfermidades, movimentos sociais e ambientais lançaram, no dia 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, a “Campanha Nacional contra os Agrotóxicos pela Vida”. Conscientizar a população sobre os riscos à saúde tanto para os agricultores quanto para os consumidores de alimentos cultivados com o produto, faz parte do objetivo.
A Campanha tem como uma de suas metas proibir a pulverização aérea no país, por ser uma prática que contamina rios, lagos, lençóis freáticos e a própria atmosfera. Para conseguir esta proibição os integrantes da campanha terão que lutar contra um projeto de lei, aprovado em 2005, que regulamenta o uso de agrotóxicos e não faz referências à pulverização, deixando a prática livre.
Para combater o uso indiscriminado dos agrotóxicos, além da Campanha Nacional, o Estado conta com um Comitê de Combate ao Agrotóxico e com um Fórum de Monitoramento das ações, criado pelo Ministério Público do Trabalho.
Dados estatísticos
De acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Só no ano de 2009 foram utilizadas cerca de 800 mil toneladas de produtos químicos nas lavouras. Esse número, se distribuído aos brasileiros, dá a cada um 5 litros de veneno por ano. Os prejuízos provocados por esses produtos são ainda maiores quando são falsificados e vendidos sem registro. No site do Ministério da Agricultura está disponível a lista dos produtos legalizados.
Em 2008, o Brasil tornou-se o maior consumidor mundial de venenos agrícolas (733,9 milhões de toneladas), ultrapassando os Estados Unidos (646 milhões de toneladas). A cultura que mais consome agrotóxico é a soja.
Fontes: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cat=20&cod=58212
e http://correiodobrasil.com.br/uso-indevido-de-agrotoxicos-e-tema-de-audiencia-em-pernambuco/267478/
