Reportagem Laís Graf / Edição Bruno Calzavara
Na quinta-feira, dia 20 de outubro, as escadas do Prédio Histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade, viraram um cinema ao ar livre. Quem passasse em frente ao local veria cerca de 50 pessoas sentadas em frente a um telão, comendo pipoca.
Formado por quatro vídeos, os filmes passados não eram blockbusters, muito menos circuito cult. As projeções fizeram parte da ação chamada de Cine Copa Moradia, organizada pelo Comitê Popular da Copa do Mundo de Curitiba, que visa denunciar as violações de direitos causados pelas obras do mega-evento.
O primeiro vídeo apresentado foi o registro de uma ação promovida pelo Comitê no dia 21 de agosto, na mesma Praça Santos Andrade. Na sequência, a plateia assistiu à matéria jornalística produzida por integrantes de Comunicação do grupo sobre os prejuízos que a Copa pode trazer para Curitiba. Os dois vídeos seguintes expuseram os problemas que os estados do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro estão enfrentando com as obras para o evento mundial.
As exibições foram apenas uma das muitas manifestações que o grupo está organizando. Segundo o representante do Comitê Nacional, Thiago Hoshino, ações como essa servem para mobilizar o debate. Ele conta que o Comitê quer chamar a atenção para a conversa a respeito dos assuntos da Copa, além de mostrar que existem pessoas que são avessas ao evento.
O Comitê
O Comitê Popular da Copa do Mundo de Curitiba foi formado em agosto deste ano e tem três objetivos primordiais. Ele pretende alertar a população a respeito dos impactos negativos que a Copa pode trazer para a cidade, fiscalizar o poder público e exigir transparência nas ações realizadas pelo governo, além de lutar pelos menos favorecidos que estão sendo prejudicados pelo evento mundial. Cada cidade-sede tem seu grupo de discussão. A iniciativa surgiu no Pan de 2007 no Rio de Janeiro, quando uma parcela da população ficou descontente com os rumos tomados pelos governantes em relação ao evento.
Desde sua formação o Comitê tem organizado ações em Curitiba. Fernanda Keiko Ikuta, responsável por levantar dados e estatísticas, afirma que o grupo já se reuniu com a prefeitura de São José dos Pinhais para obter informações a respeito das reformas feitas para receber o evento. Para ela, o Corredor Metropolitano (obra que pretende revitalizar, entre outros, o caminho que liga o aeroporto à cidade) vai trazer enormes prejuízos para a população. De acordo com o Comitê, despejos velados já foram realizados e audiências públicas não foram promovidas.
Além disso, outros problemas são apontados pela organização. Segundo o grupo, a Copa no Brasil vai ser a mais cara da história, podendo chegar a R$ 40 bilhões. Só em Curitiba, R$ 90 milhões serão direcionados à reforma do estádio do Clube Atlético Paranaense, além de R$ 200 milhões em reformas para que a cidade se encaixe nos padrões das cidades-sede. Enquanto reformas são feitas, 60 mil famílias esperam na fila da Cohab.
Para saber mais
Quem tiver interesse em saber mais sobre todos os ocorridos relacionados à Copa ou se identifica com a causa pode participar dos próximos eventos que o Comitê pretende realizar em Curitiba. Confira:
25/10 > Debate sobre mobilidades urbana e obras da Copa do Mundo, na Universidade Federal do Paraná
26/10 > Ato do Dia do Passe Livre, com a presença do Comitê Popular de Curitiba
LINK: http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/node/10317
