Hoje em Dia – Carioquinha transgênico chega na mesa do brasileiro em 2 anos

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O plantio e a comercialização do feijão transgênico no Brasil foram liberados nesta quinta-feira (15) pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A estimativa é que no máximo em dois anos ele já esteja disponível nas gôndolas de supermercados de todo o país. O novo grão, desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), é resistente à principal praga que assola as plantações brasileiras, o vírus do mosaico dourado. Com menor custo de produção, o alimento deve sair mais barato para o consumidor final.

Com a aprovação, não há mais empecilhos para que o produto modificado chegue à mesa dos brasileiros. Isso porque a CTNBio, órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, é quem tem o poder de dar o aval para a produção comercial dos organismos geneticamente modificados. Já foi liberada no Brasil a comercialização de soja, algodão e milho. O país é o segundo maior produtor de alimentos transgênicos do mundo, com 25,4 milhões de hectares cultivados. Em primeiro lugar ficam os Estados Unidos.

O feijão transgênico é o primeiro caso de alimento geneticamente modificado em que as pesquisas foram completamente realizadas no país. Os demais foram produzidos nos Estados Unidos. Os estudos para a elaboração do feijão tiveram início no ano de 2000. Quatro anos depois, os pesquisadores conseguiram desenvolver a planta resistente. Em seguida foram realizados testes, com plantios experimentais, em fazendas localizadas em Sete Lagoas, em Minas Gerais, Londrina, no Paraná, e Santo André, em Goiás. Na prática, a modificação genética impede a reprodução do vírus do mosaico que é transmitido pela mosca branca. Foram gastos R$ 3,5 milhões durante os anos de pesquisa.

Segundo o pesquisador do Centro de Biotecnologia da Embrapa que participou da pesquisa, Francisco Aragão, o novo feijão reduz em 100% o risco de contaminação das lavouras. Após a aprovação da CTNBio, os testes ainda vão continuar sendo feitos para garantir a segurança da produção. Aragão explica que, como a planta já foi estudada exaustivamente a comercialização vai acontecer em menos de dois anos. A primeira espécie modificada será a do feijão carioca, mas a intenção é estender para todas as demais variedades. “Cerca de 80% do feijão produzido no país é dessa espécie”, afirma.

Para Aragão a maior vantagem que o feijão transgênico poderá trazer para os brasileiros é econômica. Isso porque, na medida em que se impede a contaminação da cultura pela principal praga, reduz a necessidade do uso de inseticida nas lavouras. Dessa forma, os custos de produção também serão menores. O pesquisador acredita que a Embrapa não deverá cobrar royalties pela criação do grão. “Com o grão do mesmo preço e a produção mais barata o feijão poderá ser mais barata para o consumidor final”, diz.

O presidente da CTNBio, Edilson Paiva, explica que o novo grão não representa nenhum risco à saúde humana. “Nós podemos dizer que ele é ainda mais saudável que o convencional porque ele não vai ser exposto a inseticidas que têm alto nível de toxidade”, afirma.

Liberação tem opositores

A liberação para a comercialização e cultivo do feijão transgênico no país tem opositores. Um deles, a Organização de Direito Humanos, Terra de Direitos, vai entrar com um processo na Justiça Federal ainda neste mês para pedir que o grão passe por mais testes antes de ser vendido.

O coordenador da organização, Darci Frigo, explica que o processo judicial vai se basear no princípio da precaução. Segundo ele, o feijão não foi testado o suficiente e ainda gera dúvidas quanto à segurança para o consumo. “Sempre que não há respostas para todas as dúvidas não pode-se liberar a comercialização”, afirma.

Os consumidores saberão se o feijão que estará a venda é transgênico ou convencional por meio do rótulo, onde há um T indicando que é modificado, conforme regra feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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