Júri dos acusados de matar dois trabalhadores do MST em 1997 deve acabar hoje
Depoimentos apontam que as mortes ocorridas há 13 anos podem ser fruto de ação de milícia privada.
A equipe de jurados composta por quatro homens e três mulheres deve votar hoje, em Laranjeiras do Sul, a sentença dos acusados de matar Vanderlei das Neves, 16 anos, e José Alves dos Santos, 34 anos. Os trabalhadores foram mortos em uma emboscada em 1997 na Fazenda Pinhal Ralo, da empresa Giacometi Marondin – atual Araupel – em Rio Bonito do Iguaçu, Região Sudoeste do Paraná. Os acusados pelo crime são Antoninho Valdecir Somenzi, 57 anos, e Jorge Dobinski da Silva, 69 anos.
Ontem (14), no primeiro dia do júri, foi feita a leitura do processo e também foram ouvidas testemunhas de defesa e acusação. O julgamento foi interrompido às 21h30 e recomeçou nesta manhã, às 8h. As atividades do segundo dia começaram com o interrogatório dos acusados tanto pela defesa quanto pela acusação. Durante a tarde, o Ministério Público, a assistência de acusação, feita pelo advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, e a defesa dos acusados fizeram suas exposições e a votação deve acontecer ainda hoje.
Cerca de 100 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acompanham o julgamento, que apesar de ainda não ter o veredicto, aponta para algumas conclusões sobre o caso. Alguns depoimentos indicam que a emboscada que terminou nas mortes se trata de uma ação de uma milícia ruralista.
Somenzi, um dos acusados, disse que usava armas para trabalhar. Além disso, vários membros da equipe de vigilância da qual os acusados faziam parte tinham no histórico profissional a passagem por funções em órgãos de segurança do Estado, como a polícia e o exército.
O dia 16 de janeiro, data na qual houve os assassinatos, foi apenas uma das represálias sofridas pelos trabalhadores acampados na fazenda. Pelo menos mais três ações da milícia foram relatadas. Isso aponta para um possível processo de repressão por parte dos seguranças aos trabalhadores, em uma espécie de conflito anunciado, mas que não foi prevenido e acabou na morte de dois trabalhadores, um deles com apenas 16 anos, que lutavam pelo acesso aos direitos humanos.
Mais Informações:
Pedro Carrano, repórter que acompanha o júri – 8835-4959
Leia mais sobre o histórico do caso no site da Terra de Direitos.