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Em resposta ao não cumprimento de acordo com Superintendente do Incra, quilombolas ocupam BR


Moradores do Fundão aguardam visita do Superintendente do Incra

Marcada para a última quarta-feira (21), a visita do Superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Edson Wagner de Sousa Barroso, ao acampamento do “Fundão”, da comunidade Paiol de Telha não aconteceu.

Inicialmente o Superintendente adiou a visita para o dia seguinte alegando dificuldades na agenda, mas mesmo assim, não compareceu ao local na quinta-feira (22).

A visita, reivindicada pelos moradores da comunidade durante reunião na sede do Instituto em Curitiba, no último dia 31, tinha como principal objetivo levar aos moradores do Fundão os encaminhamentos acordados entre representantes da comunidade e Incra.

Alojamento da comunidade do Fundão Cansados de sempre retornar à comunidade com promessas e pedidos de espera sobre a questão da paralisação do processo de titulação das terras, que hoje estão ocupadas pela Cooperativa Agrária, representantes quilombolas exigiram a presença do Superintendente para que ele mesmo se comprometa com os moradores.

As dificuldades geradas pela não titulação do território são muitas. Impossibilitados de se estabelecer e de plantar, para resistir na luta pelo território as famílias vivem precariamente em alojamentos de lona temporários, cultivam pequenas hortas próximas ao acampamento, e possuem pequenas criações de animais enquanto aguardam a desapropriação de suas terras.

“Quilombolas na rua: Incra, a culpa é sua!”

Como o Superintendente não cumpriu o acordo firmado por ele mesmo com a comunidade, os quilombolas decidiram ocupar a via PR 459 que liga os municípios de Reserva do Iguaçu e Pinhão.

A ocupação teve início no final da manhã desta quinta-feira (22) e foi até as 18h. Hoje (23), os quilombolas estão ocupando desde às 8h e seguem até o fim do dia, permitindo somente a passagem de veículos de transporte escolar e da Secretária da Saúde.

A principal reivindicação dos ocupantes é a visita do Superintendente do Incra, que pela segunda vez descumpriu o compromisso e não apareceu na data marcada. A ideia é repetir a ocupação todos os dias até que Barroso enfim compareça ao local e dê retorno aos moradores sobre o processo de desapropriação de suas terras.Superintendente Incra, Edson Wagner de Sousa Barroso, durante reunião em que se comprometeu a visitar a comunidade

Ainda, está na pauta da comunidade a resolução da questão da hipoteca da área e a definição de data para entrega das demais áreas garantidas pelo decreto de desapropriação do território, assinado há 2 anos pela então presidenta Dilma Rousseff.

A ocupação é uma estratégia historicamente utilizada na luta da comunidade pela retomada de seu território tradicional. A própria assinatura do decreto em 2015 foi resultado da ocupação da fazenda herdada pelos quilombolas e ocupada, desde a década de 70, por imigrantes alemães que fundaram no local a Cooperativa Agrária, uma grande produtora de commodities na região.

Em 2009, a comunidade ocupou a sede do Incra para reivindicar celeridade nos processos administrativos previam a regularização das áreas dos quilombolas.

 Assista trecho da ocupação da PR 459 na tarde desta quinta-feira (22):



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Ações: Quilombolas
Eixos: Terra, território e justiça espacial