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	<title>Terra de Direitos &#187; COP MOP</title>
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	<description>Organização de Direitos Humanos</description>
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		<title>CARTA AOS PARCEIROS &#8211; Edição Especial</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Dec 2010 14:37:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biblioteca]]></category>
		<category><![CDATA[Boletins]]></category>
		<category><![CDATA[Sala de mídia]]></category>
		<category><![CDATA[COP MOP]]></category>
		<category><![CDATA[defensores de direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[Este boletim é uma edição especial de fim de ano, que tem o objetivo de trazer avaliações sobre alguns dos temas que consideramos relevantes em 2010 e os desafios que visualizamos para o próximo ano.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; ">
<p style="text-align: justify; "><strong>CARTA AOS PARCEIROS - Edição Especial</strong></p>
<p style="text-align: justify; "><em><a href="http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2010/12/Logo-Terra-Jpeg.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-4138" title="Logo Terra Jpeg" src="http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2010/12/Logo-Terra-Jpeg-150x150.jpg" alt="Logo Terra Jpeg" width="120" height="120" /></a>Faltando poucos dias para iniciarmos o próximo ano, a Terra de Direitos considera importante trazer algumas reflexões sobre o trabalho realizado em 2010. Este boletim é uma edição especial de fim de ano, que tem o objetivo de trazer avaliações sobre alguns dos temas que consideramos relevantes em 2010 e os desafios que visualizamos para o próximo ano.</em></p>
<p style="text-align: justify; "><strong>POLÍTICA E CULTURA DE DIREITOS HUMANOS</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">A opção por um modelo de desenvolvimento focado no crescimento econômico sem a preocupação com a distribuição justa de renda, riqueza e com justiça ambiental, faz com que o país mantenha uma situação de profunda desigualdade social e enfraqueça a eficácia das políticas públicas de direitos humanos. A priorização dos investimentos em mega-projetos, como barragens e hidroelétricas, no agronegócio e no fortalecimento de grandes empresas, intensificam as violações de direitos humanos.</p>
<p style="text-align: justify; ">O Brasil pós CF/88 convive com um cenário de ineficácia das normas de direitos humanos. Essa crise da atuação pública na concretização destas normas requer maior organização e atuação da sociedade no sentido da sua efetivação.</p>
<p style="text-align: justify; ">Um dos pontos que destacamos foi a ação das organizações de direitos humanos e movimentos sociais em prol da efetivação do Programa Nacional de Direitos Humanos III. A elaboração do programa era uma reivindicação antiga da sociedade civil, que buscava a existência de uma política pública nacional sobre direitos humanos. Logo no início de 2010, menos de um mês depois de seu lançamento, o PNDH III foi alvo de duras críticas feitas pelos setores mais conservadores da sociedade. Após um período de grandes incertezas sobre o futuro do programa, finalmente foi constituído o Comitê de Monitoramento e Implementação. Para a Terra de Direitos, esse foi um passo importante, já que um dos grandes desafios colocados para 2011 é justamente a elaboração do Plano Nacional de Direitos Humanos, com previsão de metas concretas, definição de prioridades e construção de um mecanismo que permita o monitoramento da implementação do PNDH III.</p>
<ul>
<li><strong>Leia Mais:</strong></li>
</ul>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;"><img src="https://sys.jaiminho.com.br/system/data/user_uploads/29/image/Boletim%20defensores%20-%20capa.jpg" alt="" width="100" height="142" align="left" /><strong>Boletim: Defensoras e Defensores de Direitos Humanos no Brasil</strong><br />
<a style="color: #2a5db0;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYmlibGlvdGVjYS9ib2xldGltLWRlZmVuc29yYXMtZS1kZWZlbnNvcmVzLWRlLWRpcmVpdG9zLWh1bWFub3Mtbm8tYnJhc2lsLw==&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MzMwMDc4MzI%3D&amp;CampaignID=2036&amp;CampaignStatisticsID=&amp;Demo=1&amp;Email=bGVhbmRyb0B0ZXJyYWRlZGlyZWl0b3Mub3JnLmJy" target="_blank">Clique aqui!</a></span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;">O objetivo principal desse material é reafirmar a importância de construir uma política pública para defensores/as de direitos humanos no Brasil, a partir da reflexão em torno dos avanços e dos obstáculos enfrentados no processo de implementação do PPDDH.</span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;"><img src="https://sys.jaiminho.com.br/system/data/user_uploads/29/image/Transnacionais/guia%20transnacionais-capa%20pequena(1).jpg" alt="" width="100" height="142" align="left" /><strong>Livro: “Empresas Transnacionais no Banco dos Réus: Violações de Direitos Humanos e Possibilidades de Reparação”</strong>.</span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;"><a style="color: #2a5db0;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYmlibGlvdGVjYS90ZXJyYS1kZS1kaXJlaXRvcy1sYW5jYS1saXZyby1zb2JyZS12aW9sYWNvZXMtZGUtZGlyZWl0b3MtaHVtYW5vcy1jb21ldGlkYXMtcG9yLXRyYW5zbmFjaW9uYWlzLw==&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MzMwMDc4MzI%3D&amp;CampaignID=2036&amp;CampaignStatisticsID=&amp;Demo=1&amp;Email=bGVhbmRyb0B0ZXJyYWRlZGlyZWl0b3Mub3JnLmJy" target="_blank">Clique aqui!</a><br />
</span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;">Em linguagem acessível e com sistematização de conteúdos, o guia aborda questões conceituais, preparatórias dos litígios, além de examinar alguns instrumentos e mecanismos como o ATCA dos EUA, mecanismos na ONU e OIT.</span></span></p>
<p style="text-align: justify; ">
<p style="text-align: justify; "><strong>JUSTICIABILIDADE DOS DIREITOS HUMANOS E DEMOCRATIZAÇÃO DA JUSTIÇA</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">A afirmação histórica dos direitos humanos vem assumindo novas tendências no Brasil. É possível verificar, por exemplo, que os conflitos sociais acabam por desaguar no Poder Judiciário. Entretanto, cabe questionar qual o grau de adequação democrática da estrutura, organização e cultura do Judiciário em relação aos princípios, objetivos, direitos e garantias fundamentais do Estado Democrático de Direito.</p>
<p style="text-align: justify; ">Para a Terra de Direitos debater o processo histórico do Judiciário e suas estruturas internas é um dos caminhos para a democratização da justiça. Conhecer a forma de sua organização, identificar e dialogar com juízes comprometidos com a efetivação dos direitos humanos permitirá à sociedade compreender a crise do Judiciário e, finalmente, participar do seu processo de reforma apresentando uma agenda da sociedade para a efetivação dos direitos humanos  e sua relação com a justiça.</p>
<p style="text-align: justify; ">Em 2010 várias organizações de direitos humanos iniciaram uma atuação conjunta em temas importantes que envolveram o judiciário brasileiro. Entre os temas trabalhados estão o processo de indicação para ministro do STF e o acompanhamento das ações do Conselho Nacional de Justiça. Para 2011, o desafio será avançar na construção e fortalecimento de mecanismos para participação social no judiciário e ampliar o debate sobre o papel do judiciário na efetivação dos direitos humanos.</p>
<ul>
<li><strong>Leia mais:</strong></li>
</ul>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;"><img src="https://sys.jaiminho.com.br/system/data/user_uploads/29/image/Capa%20LIvro%20Justi%C3%A3%20-%20pequena.jpg" alt="" width="100" height="147" align="left" /><strong>Livro: “Justiça e Direitos Humanos: experiências de assessoria jurídica popular”.</strong></span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;"><a style="color: #2a5db0;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYmlibGlvdGVjYS9iYWl4ZS1vLWFycXVpdm8tZG8tbGl2cm8tanVzdGljYS1lLWRpcmVpdG9zLWh1bWFub3Mv&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MzMwMDc4MzI%3D&amp;CampaignID=2036&amp;CampaignStatisticsID=&amp;Demo=1&amp;Email=bGVhbmRyb0B0ZXJyYWRlZGlyZWl0b3Mub3JnLmJy" target="_blank">Clique aqui!</a><br />
A obra é composta por nove artigos que abordam casos concretos sobre Justiça e Direitos Humanos. Além disso, possui um artigo sobre a atuação das organizações da sociedade civil nesse campo, e uma reflexão sobre o sentido da assessoria jurídica popular em Direitos Humanos. O prefácio do livro foi escrito pelo jus-sociólogo português Boaventura de Souza Santos.<br />
</span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;"><img src="https://sys.jaiminho.com.br/system/data/user_uploads/29/image/JUSTICIABILIDADE/Capa%20Boletim%20Justiciabilidade%20-%20edcicao%201.jpg" alt="" width="100" height="140" align="left" /><strong>Caderno: Justiça, Participação Social e Direitos Humanos/n° 1</strong><br />
</span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;"><a style="color: #2a5db0;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYWdlbmRhL2NhZGVybm8tZGlyZWl0b3MtaHVtYW5vcy1qdXN0aWNhLWUtcGFydGljaXBhY2FvLXNvY2lhbC1lZGljYW8tMDEtanVsaG8tZGUtMjAxMC8=&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MzMwMDc4MzI%3D&amp;CampaignID=2036&amp;CampaignStatisticsID=&amp;Demo=1&amp;Email=bGVhbmRyb0B0ZXJyYWRlZGlyZWl0b3Mub3JnLmJy" target="_blank">Clique aqui!</a></span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;">Essa edição aborda o papel do Judiciário frente a efetivação dos Direitos Humanos, com uma análise sobre o surgimento do CNJ e as experiências no governo e na gestão do Judiciário. </span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;"><img src="https://sys.jaiminho.com.br/system/data/user_uploads/29/image/JUSTICIABILIDADE/capa%20boletim%20justiciabilidade.jpg" alt="" width="100" height="135" align="left" /><strong>Caderno: Justiça, Participação Social e Direitos Humanos/ n° 2 </strong><br />
</span></span><br />
<a style="color: #2a5db0;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYmlibGlvdGVjYS9iYWl4ZS1vLWNhZGVybm8tZGlyZWl0b3MtaHVtYW5vcy1qdXN0aWNhLWUtcGFydGljaXBhY2FvLXNvY2lhbC8=&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MzMwMDc4MzI%3D&amp;CampaignID=2036&amp;CampaignStatisticsID=&amp;Demo=1&amp;Email=bGVhbmRyb0B0ZXJyYWRlZGlyZWl0b3Mub3JnLmJy" target="_blank"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;">Clique aqui!</span></span></a></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;">A segunda edição aborda os diversos projetos de lei que visam a reforma do Judiciário, como o PL sobre a Estrutura do Judiciário, PL sobre a Reforma Processual e a nova Lei de Ação Civil Pública.</span></span></p>
<p style="text-align: justify; ">
<p style="text-align: justify; "><strong>TERRA, TERRITÓRIO E EQUIDADE SÓCIO ESPACIAL</strong></p>
<p style="text-align: justify; "><strong>Reforma Agrária:</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">A Terra de Direitos &#8211; enquanto organização de direitos humanos que possui a assessoria jurídica popular como uma de suas estratégias de intervenção– além de todos os problemas estruturais, considera como grandes obstáculos à política pública de reforma agrária: a não observância da Constituição Federal quanto a aplicação dos conceitos da função social ambiental e trabalhista; e as estratégias jurídicas utilizadas por latifundiários para impedir a conclusão dos processos administrativos e judiciais de desapropriação para fins de reforma agrária.</p>
<p style="text-align: justify; ">Ao longo do ano, trabalhamos para qualificar nossa intervenção nesse campo, buscando fomentar o debate quanto a novas formas de desapropriação &#8211; para além do cumprimento da função social a partir da produtividade da área. Existem possibilidades ainda pouco exploradas juridicamente, como as desapropriações por trabalho escravo e por danos ao meio ambiente, por exemplo, que deverão ser mais debatidas entre as organizações litigantes. Além disso, elaboramos um estudo preliminar, a partir de casos do estado de Pernambuco, sobre as teses que vêm sendo acolhidas por juízes e desembargadores, mas que precisam ser revistas para adequarem-se à CF e às normas específicas que disciplinam a realização da reforma agrária. O objetivo é abrir um amplo debate junto aos juízes e desembargadores responsáveis pelos processos.</p>
<p style="text-align: justify; "><strong>Quilombolas:</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">A Constituição Federal de 1988 reconheceu aos quilombolas, no art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o direito à titulação do território. Direito esse que, até o momento, infelizmente, praticamente não tem sido efetivado. As dificuldades encontradas na luta pelo território são diversas e os desafios estão intimamente ligados às danosas e ainda muito presentes seqüelas da escravidão e com a degradante estruturação agrária brasileira, que concentra terra e riqueza nas mãos de poucos.</p>
<p style="text-align: justify; ">A titulação dos territórios das comunidades quilombolas desponta como medida de complemento e consolidação da abolição cultural da escravidão no Brasil. É ato de reparação que o Estado brasileiro está obrigado a cumprir, ainda que tardiamente.</p>
<p style="text-align: justify; ">Os representantes das oligarquias agrárias brasileiras e da sua reinvenção, chamada de agronegócio, são os primeiros a defender teses jurídicas que limitam direitos dos quilombolas no acesso à terra.</p>
<p style="text-align: justify; ">Diante desse cenário, em 2010 buscamos qualificar nossa ação junto às comunidades quilombolas dos estados do Pará (Santarém), Paraná e Pernambuco (Sertão do São Francisco). Acompanhamos procedimentos de titulação, monitoramos projetos de lei relacionados aos direitos quilombolas, participamos de articulações sobre a ADIN 3239/2004, realizamos oficinas sobre direitos humanos.</p>
<p style="text-align: justify; ">Para o trabalho em 2011 entendemos como grandes desafios:</p>
<p style="text-align: justify; ">1) Ações de controle abstrato de constitucionalidade, bem como pontuais de anulação de processos de titulação</p>
<p style="text-align: justify; ">2) Ações legislativas, com projetos de lei que visam mudar os atuais marcos legais</p>
<p style="text-align: justify; ">3) Ações de repressão e criminalização dos quilombolas</p>
<p style="text-align: justify; ">4) Dificuldades na tramitação de processos administrativos de titulação</p>
<p style="text-align: justify; ">É nesse contexto que a proposta de trabalho desafia-se a construir, coletivamente, ferramentas e instrumentos aptos a superar tais entraves à efetivação do direito territorial quilombola, contribuindo para garantir a essas comunidades tradicionais o respeito aos seus modos de vida e suas culturas.</p>
<p style="text-align: justify; "><strong>Cidades: mega-eventos, direito à moradia e conflitos sócio-ambientais</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">Os impactos causados pela realização de grandes eventos, como a Copa de 2014, devem continuar na pauta dos movimentos sociais e das organizações envolvidas na luta pela Reforma Urbana. Em Curitiba, a sociedade civil tem organizado debates, audiências públicas e diálogos com órgãos estatais para monitorar a atuação dos poderes públicos, cujos projetos em torno dos mega-eventos distribuem desigualmente custos e benefícios sociais, reproduzem a exclusão sócio-espacial e quase nunca representam soluções definitivas para as demandas sociais, ambientais e infra-estruturais das cidades. As grandes obras e empreendimentos não trazem resposta aos problemas, intensificam o déficit habitacional metropolitano e atingem diretamente as comunidades empobrecidas – pressionadas a ocuparem regiões periféricas e de risco, como áreas de preservação ambiental e beiras de rio. A discussão sobre os conflitos sócio-ambientais também no espaço urbano fará parte da agenda política de 2011.</p>
<p style="text-align: justify; "><strong>BIODIVERSIDADE E SOBERANIA ALIMENTAR</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">O outro lado da discussão da apropriação da terra no Brasil situa-se no processo de avanço do agronegócio no território, principalmente na Amazônia, e nas ações de privatização da biodiversidade brasileira. Esse campo está repleto de exemplos das estratégias de supressão e de flexibilização dos marcos legais de direitos humanos. Diante das ventiladas crises geradas pelo sistema produtivo mundial, o Brasil, com suas proporções continentais tropicais, vem sendo pressionado por meio das grandes multinacionais e da histórica elite agrária exportadora de commotidies, a flexibilizar sua legislação ambiental. Um dos casos é a recente reforma do Código Florestal nacional, que poderá, por exemplo, inviabilizar a desapropriação de áreas por descumprimento da função socioambiental.</p>
<p style="text-align: justify; ">Em outubro, participamos da COP 10 e MOP 05, ocorrida em Nagoya/Japão, onde foram assinados dois novos Protocolos ambientais e a aprovação de um novo Plano estratégico global para deter as perdas da diversidade biológica até 2020. A boa recepção de quase todos os países para o estudo denominado “A Economia da Biodiversidade e dos Ecossistemas” (com a sigla TEEB em inglês) representa que nos próximos períodos iremos enfrentar uma mudança de paradigma no uso e conservação da biodiversidade, onde as múltiplas funções ecossistêmicas serão vistas como novas oportunidades de negócios.</p>
<p style="text-align: justify; ">A instituição do mercado verde e o pagamento por serviços ambientais já estão na pauta do governo e serão melhor delineadas a partir do próximo ano. Nos preocupa saber que toda a riqueza da diversidade biológica e os conhecimentos adquiridos milenarmente pelas comunidades poderão estar, num futuro próximo, precificados e revalorados a partir da lógica dos sistemas financeiros.</p>
<p style="text-align: justify; ">A disputa já travada em âmbito nacional quanto aos transgênicos exemplifica a magnitude do problema. Apesar da contaminação genética, da não garantia ao direito dos agricultores, da falta de normas suficientes que garantam a biossegurança e do excessivo uso de agrotóxicos nas lavouras e a conseqüente contaminação de produtores e consumidores, a CTNBio mantém sua política de aprovação de transgênicos, ameaçando tornar os processos cada vez mais sigilosos.</p>
<ul>
<li><strong>Leia Mais:</strong></li>
</ul>
<p><strong>Código Florestal: subsídios técnicos e políticos para o debate</strong><br />
<a style="color: #2a5db0;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYmlibGlvdGVjYS9tdWRhbmNhcy1uYS1sZWdpc2xhY2FvLWFtYmllbnRhbC1lLW9zLXJlZmxleG9zLW5hLWFncmljdWx0dXJhLWZhbWlsaWFyLWNhbXBvbmVzYS1lLXBvdm9zLWUtY29tdW5pZGFkZXMtdHJhZGljaW9uYWlzLXN1YnNpZGlvcy10ZWNuaWNvcy1lLXBvbGl0aWNvcy1wYXJhLW8tZGViYXRlLw==&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MzMwMDc4MzI%3D&amp;CampaignID=2036&amp;CampaignStatisticsID=&amp;Demo=1&amp;Email=bGVhbmRyb0B0ZXJyYWRlZGlyZWl0b3Mub3JnLmJy" target="_blank">Clique aqui!</a></p>
<p><strong><img src="https://sys.jaiminho.com.br/system/data/user_uploads/29/image/Rumo%20a%20nagoya%20-PQ.jpg" alt="" width="100" height="100" align="left" />COP 10: Biodiversidade como mercadoria marca debates na Convenção</strong><br />
<a style="color: #2a5db0;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYmlibGlvdGVjYS9jb3AtMTAtYmlvZGl2ZXJzaWRhZGUtY29tby1tZXJjYWRvcmlhLW1hcmNhLWRlYmF0ZXMtbmEtY29udmVuY2FvLw==&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MzMwMDc4MzI%3D&amp;CampaignID=2036&amp;CampaignStatisticsID=&amp;Demo=1&amp;Email=bGVhbmRyb0B0ZXJyYWRlZGlyZWl0b3Mub3JnLmJy" target="_blank"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;">Clique aqui!</span></span></a></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;">Nesse material, você acompanha os principais debates feitos durante a COP MOP e o impacto do TEEB no futuro da biodiversidade mundial. </span></span></p>
<p><img src="https://sys.jaiminho.com.br/system/data/user_uploads/29/image/COP%20MOP%20-%20subsidios%20para%20debate.jpg" alt="" width="100" height="143" align="left" /><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;"><strong>Subsídio para o posicionamento da Sociedade Civil na Convenção da Diversidade Biológica</strong></span></span></p>
<p><a style="color: #2a5db0;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYmlibGlvdGVjYS9zdWJzaWRpby1wYXJhLXJldW5pYW8tbmFjaW9uYWwtcGFyYS1vLXBvc2ljaW9uYW1lbnRvLWRhLXNvY2llZGFkZS1jaXZpbC8=&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MzMwMDc4MzI%3D&amp;CampaignID=2036&amp;CampaignStatisticsID=&amp;Demo=1&amp;Email=bGVhbmRyb0B0ZXJyYWRlZGlyZWl0b3Mub3JnLmJy" target="_blank"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;">Clique aqui!</span></span></a></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Verdana;">Esse material contém os principais temas debatidos durante a COP MOP, como biocombustíveis, mudanças climáticas e transgênicos. </span></span></p>
<p style="text-align: justify; ">
<p style="text-align: justify; "><strong><em>Agradecemos a todos e todas que contribuíram com nosso trabalho e desejamos um ótimo final de ano e muitas felicidades em 2011!</em></strong></p>
]]></content:encoded>
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		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>COP 10: Biodiversidade como mercadoria marca debates na Convenção</title>
		<link>http://terradedireitos.org.br/biblioteca/cop-10-biodiversidade-como-mercadoria-marca-debates-na-convencao/</link>
		<comments>http://terradedireitos.org.br/biblioteca/cop-10-biodiversidade-como-mercadoria-marca-debates-na-convencao/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 19:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biblioteca]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade e soberania alimentar]]></category>
		<category><![CDATA[Linhas de atuação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[cdb]]></category>
		<category><![CDATA[COP MOP]]></category>
		<category><![CDATA[mercadoria]]></category>
		<category><![CDATA[nagoya]]></category>
		<category><![CDATA[TEEB]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://terradedireitos.org.br/?p=3965</guid>
		<description><![CDATA[A CDB parece também se enfraquecer enquanto fórum multilateral de negociação e implementação de políticas públicas para a conservação, uso sustentável e repartição de benefícios, podendo tornar-se uma plataforma para o mercado verde, que muitos acreditam ser um “green new deal” do sistema financeiro frente a crise.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2010/11/foto-laboratório.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-3966" title="foto laboratório" src="http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2010/11/foto-laboratório-150x150.jpg" alt="foto laboratório" width="150" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A COP 10 e MOP 05, ocorrida em Nagoya-Japão entre os dias 11 e 29 de outubro, encerraram com um aparente saldo positivo: a assinatura de dois novos Protocolos ambientais e a aprovação de um novo Plano estratégico global para deter as altíssimas taxas de perda e erosão da diversidade biológica até 2020. Em uma análise superficial de resultados, pareceria que os países-Parte da CDB deram uma resposta à altura do fracasso coletivo ocorrido no cumprimento do Plano estratégico previsto para o período 2002-2010 (segundo apontou o relatório <a href="http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;idEstrutura=72&amp;idConteudo=9836">“Panorama da Biodiversidade Global 3”</a> do Secretariado da Convenção sobre a Diversidade Biológica – CDB ).</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, apesar de ter aprovado o tão esperado Protocolo de Nagoya sobre Acesso aos Recursos Genéticos e Repartição justa e equitativa dos benefícios (<a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/protocolo-de-nagoya-de-acesso-aos-recursos-geneticos-e-conhecimentos-tradicionais-e-reparticao-justa-e-equitativa-dos-beneficios-acess-benefit-sharing/" target="_blank">leia aqui</a>), que preenche a lacuna histórica dos objetivos da CDB desde a ECO 92, esta 10ª Conferência parece ter depositado as expectativas do cumprimento dos objetivos da Convenção principalmente no setor empresarial e na valoração econômica da biodiversidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Repetindo as estratégias de mercado construídas na Convenção do Clima através da “métrica do carbono”, a CDB parece também se enfraquecer enquanto fórum multilateral de negociação e implementação de políticas públicas para a conservação, uso sustentável e repartição de benefícios, podendo tornar-se também uma plataforma para a chamado mercado verde, que muitos creditam ser um “green new deal” do sistema financeiro frente a atual crise.</p>
<p style="text-align: justify;">A impressionante recepção do estudo liderado pelo indiano Pavan Sukhdev e denominado “A Economia da Biodiversidade e dos Ecossistemas” (com a sigla TEEB em inglês – “The Economics of Ecosystems na Biodiversity)) pelos textos operativos da CDB e principalmente pelo Plano Estratégico 2010-2020 (<a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/metas-para-2020-plano-estrategico-pos-2010-e-a-economia-da-biodiversidade/" target="_blank">leia aqui</a>), pode representar uma mudança de paradigma no uso e conservação da biodiversidade, tornando as múltiplas funções ecossistêmicas &#8211; como a polinização de abelhas ou a regulação climática das florestas, por exemplo- novas oportunidades de negócios. Ao reduzir a biodiversidade a cinco novas métricas de valoração econômica, o TEEB (<a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/biodiversidade-como-mercadoria/" target="_blank">leia aqui</a>) permite que países desenvolvidos, historicamente responsáveis pela erosão da biodiversidade, mantenham as taxas atuais de desmatamento e emissões, adquirindo créditos de serviços ambientais dos países megadiversos. São as chamadas compensações (offsets) ou em outras palavras, autorizações para produzir o dano, mediante pagamento financeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao colocar preço na biodiversidade e em seus “serviços”, as convenções ambientais poderão se tornar mais um espaço de negociação de serviços, produtos e ativos “verdes” por corporações transnacionais em busca de novos mercados. Com a retirada do enfoque da precaução sobre a cadeia produtiva dos agrocombustíveis (<a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/agrocombustiveis-degradacao-ambiental-com-certificacao-verde/" target="_blank">leia aqui</a>), os países-Parte da CDB abrem o mercado internacional para commodities, como o etanol enquanto alternativa energética “limpa” frente aos combustíveis fósseis. Ocultando o histórico de violações aos direitos humanos, principalmente ambientais, decorrentes das monoculturas de cana-de-açúcar, o Brasil foi um dos grandes responsáveis por privilegiar interesses comerciais e corporativos em detrimento do meio ambiente nas negociações sobre este tema na CDB.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar destas soluções de mercado abarcadas por esta COP 10, historicamente incapazes de realmente atacar o problema da perda da biodiversidade, vitórias importantes foram alcançadas, como: a aprovação do Protocolo Nagoya sobre Acesso e Repartição de benefícios, assim como a moratória (<a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/geoengenharia-e-biologia-sintetica/" target="_blank">leia aqui</a>) sobre as atividades de geo-engenharia e que utilizem formas de vida sintética e do Protocolo de Responsabilidade por danos gerados por transgênicos na MOP 05 (<a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/protocolo-internacional-sobre-transgenicos-e-aprovado-mas-nao-garante-seguranca-efetiva/" target="_blank">leia aqui</a>).</p>
<p><strong> Leia também: </strong></p>
<p>1. Protocolo de Nagoya de Acesso aos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais e repartição justa e equitativa dos benefícios (Acess &amp; Benefit Sharing) &#8211; <a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/protocolo-de-nagoya-de-acesso-aos-recursos-geneticos-e-conhecimentos-tradicionais-e-reparticao-justa-e-equitativa-dos-beneficios-acess-benefit-sharing/" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
<p>2. Metas para 2020: Plano Estratégico Pós-2010 e a Economia da Biodiversidade &#8211; <a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/metas-para-2020-plano-estrategico-pos-2010-e-a-economia-da-biodiversidade/" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
<p>3. Biodiversidade como Mercadoria &#8211; <a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/biodiversidade-como-mercadoria/" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
<p>4. Agrocombustíveis: degradação ambiental com certificação verde? &#8211; <a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/agrocombustiveis-degradacao-ambiental-com-certificacao-verde/" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
<p>5. Geoengenharia e Biologia Sintética &#8211; <a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/geoengenharia-e-biologia-sintetica/" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
<p>6. Governos discutem quem tem responsabilidade sobre transgênicos &#8211; <a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/governos-discutem-quem-tem-responsabilidade-sobre-transgenicos/" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
<p>7. Protocolo internacional sobre transgênicos é aprovado, mas não garante segurança efetiva &#8211; <a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/protocolo-internacional-sobre-transgenicos-e-aprovado-mas-nao-garante-seguranca-efetiva/" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Protocolo de Nagoya de Acesso aos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais e repartição justa e equitativa dos benefícios (Acess &amp; Benefit Sharing)</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 18:41:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esta proposital lacuna do terceiro objetivo da Convenção não só permitiu o histórico saqueamento do patrimônio genético e cultural dos países megadiversos, como contribuiu para a atual conformação da divisão internacional do trabalho. De um lado, países do Sul megadiversos e em desenvolvimento, e suas comunidades locais como fornecedoras de “matérias-primas” a baixo valor agregado. De outro lado, os países desenvolvidos do Norte, que lucram com a biopirataria e com a cobrança de propriedade intelectual sobre as “novas tecnologias criadas”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A repartição dos benefícios, oriundos do acesso à biodiversidade e aos conhecimentos tradicionais associados à sua conservação e uso sustentável, é um dos três objetivos da Convenção da Diversidade Biológica, como medida de combate à biopirataria e reconhecimento da soberania dos países e dos conhecimentos locais sobre seus recursos genéticos. A regulamentação sobre o acesso e repartição vem sendo discutida há 18 anos no âmbito da CDB, principalmente pelos países em desenvolvimento detentores da maior parte da sociobiodiversidade do planeta, como o Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta proposital lacuna do terceiro objetivo da Convenção não só permitiu o histórico saqueamento do patrimônio genético e cultural dos países megadiversos, como contribuiu para a atual conformação da divisão internacional do trabalho. De um lado, países do Sul megadiversos e em desenvolvimento, e suas comunidades locais como fornecedoras de “matérias-primas” (recursos genéticos e conhecimento tradicional) a baixo valor agregado. De outro lado, os países desenvolvidos do Norte, que lucram com a biopirataria e com a cobrança de propriedade intelectual sobre as “novas tecnologias criadas”.  Nas palavras de Pat Roy Mooney: “Os agricultores da África, Ásia e América Latina estão fornecendo germoplasma sem serem reconhecidos por sua genialidade ou protegidos dos predadores corporativos.”</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta COP 10, o Brasil, apoiado por outros países em desenvolvimento, como os africanos e os países do GRULAC (Grupo de Países da América Latina e Caribe), condicionou a assinatura das metas do Plano estratégico para 2020 à aprovação do Protocolo de Acesso e Repartição. O recado foi o de que os países em desenvolvimento não ficarão com o ônus de alcançar as metas de conservação mundial, sem os devidos repasses de recursos financeiros por parte dos países desenvolvidos que, historicamente, vem provocando a dramática perda da biodiversidade no planeta.</p>
<p style="text-align: justify;">As duríssimas negociações foram polarizadas pelos países megadiversos, povos indígenas e comunidades locais de um lado e os fortes lobbies das corporações farmacêuticas e de sementes principalmente, representadas por países da União Européia (em especial, a Alemanha) e dos EUA (ainda que não-Parte da CDB, influencia outras delegações, como do Canadá e Nova Zelândia), para retirar suas matérias primas do rol dos recursos genéticos que deverão entrar na repartição de benefícios.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo o texto do Protocolo de Nagoya, todo o acesso a recursos genéticos, a seus derivados e ao conhecimento tradicional associado a estes deve passar por um consentimento prévio dos países, segundo sua legislação nacional. Pelo texto ainda, caso um produto ou processo biotecnológico seja desenvolvido com base nesse acesso, os lucros (&#8221;benefícios&#8221;) deverão ser obrigatoriamente compartilhados com o  país de origem.</p>
<p style="text-align: justify;">Deste modo, os recursos genéticos que entram no escopo do novo Protocolo são todo e qualquer gene, proteína ou derivados naturais presentes em plantas, animais e microorganismos, inclusive patógenos, como vírus e bactérias que são base para o desenvolvimento de vacinas e outros produtos farmacêuticos. Com isso, as poderosas indústrias farmacêuticas passam a ter de se submeter às regras de acesso aos recursos e conhecimentos tradicionais associados, assim como garantir a devida repartição dos benefícios oriundos deste acesso. Estas regras de acesso podem passar por um procedimento facilitado para que não dificulte o tratamento e combate às epidemias.</p>
<p style="text-align: justify;">Os conhecimentos tradicionais associados, como as técnicas e tecnologias sociais ligadas à conservação e uso sustentável da biodiversidade, também são objeto de constante pirataria por empresas nacionais e transnacionais, a exemplo das formas de extração de óleos naturais, que hoje são comercializados como cosméticos em todo o mundo, ou ainda o desenvolvimento de remédios a partir do manejo de plantas medicinais. Deste modo, para além da repartição dos benefícios oriundos do acesso a tais conhecimentos, o principal desafio da Convenção está em garantir a proteção deste conhecimento histórico, coletivo e dinâmico dos povos indígenas e comunidades locais – através da regulamentação do art. 8 “j” da CDB-  o qual  reconhece que são estes conhecimentos que, de fato, são responsáveis pela conservação e melhoramento da biodiversidade presente no planeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Para tanto, o Grupo de Trabalho sobre o art. 8 “j”  continua se reunindo de forma a coletar experiências de proteção sui generis do conhecimento tradicional, suas inovações e práticas locais, levando em consideração as leis costumeiras (consuetudinárias) e os sistemas comunitários de regulamentação. As decisões sobre o art. 8 “j” também colocam a necessidade de se trabalhar a regulamentação deste artigo conjuntamente com o art. 10 “c” da Convenção, além de outras Convenções, como a OIT e a FAO.</p>
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		<title>Metas para 2020: Plano Estratégico Pós-2010 e a Economia da Biodiversidade</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 18:38:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil foi um dos principais países a incentivar a recepção do estudo no Plano estratégico, embora a sociedade civil tenha se manifestado formalmente de forma contrária à recepção de uma única referência como metodologia global para a definição de políticas multilaterais e para a definição de planos de ação nacionais e locais através da Convenção.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Diante do fracasso no cumprimento das metas fixadas pelo plano estratégico de 2002-2010, este novo Plano pós-2010 deposita as expectativas do cumprimento das novas metas principalmente no setor privado e financeiro, tendo como principal fundamento a precificação da natureza, através da unificação métrica da biodiversidade realizada pelo estudo TEEB, A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade. Este estudo, vinculado ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, foi coordenado pelo economista indiano e chefe da divisão de mercados globais do Deutsche Bank, Pavan Sukhdev.</p>
<p style="text-align: justify;">A decisão que aprovou o Plano estratégico durante a COP 10 dá boas vindas ao TEEB, assim como requer ao secretariado da Convenção que, baseado neste estudo, colabore com organizações como o PNUMA, PNUD, Banco Mundial e OCDE para financiar a elaboração de “ferramentas de aplicação para integrar a perspectiva econômica do valor da diversidade biológica e dos serviços dos ecossistemas”, assim como para que apóie capacitações locais para a integração dos valores da biodiversidade nas políticas nacionais e locais, e nos programas e processos de planejamento. Esta linguagem preambular da decisão tornou-se uma das novas metas a ser cumprida pelos 193 países-Parte da CDB. A meta 2 do Plano estratégico coloca a necessidade de que, em 2020, no mais tardar, os valores da biodiversidade tenham sido integrados no desenvolvimento nacional e local, nas estratégias de redução da pobreza e processos de planejamentom, além de serem incorporados à contabilidade nacional.</p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil foi um dos principais países a incentivar a recepção do estudo no Plano estratégico, embora a sociedade civil tenha se manifestado formalmente de forma contrária à recepção de uma única referência como metodologia global para a definição de políticas multilaterais e para a definição de planos de ação nacionais e locais através da Convenção. Na proposta encaminhada pela sociedade civil foram ressaltados outros valores intrínsecos à biodiversidade, como os valores culturais e espirituais. Além disso, as organizações brasileiras chamaram a atenção para o risco de se privilegiar “mecanismos inovadores” de mercado em detrimento dos “mecanismos tradicionais&#8221; acordados e existentes na CDB, como os mecanismos de acesso e repartição de benefícios.</p>
<p style="text-align: justify;">Em algumas partes do Plano Estratégico, é possível identificar uma forte inserção de conceitos e metas da Convenção de Clima no âmbito da CDB. A principal preocupação é com relação aos impactos desta métrica do carbono na biodiversidade, a exemplo da meta 15, que, em que pese definir o indicador de 15% para a recuperação de ecossistemas degradados, a depender da definição do que seja floresta, qualquer iniciativa de recomposição, como o plantio de monocultivo de árvores exóticas como o dendê ou o eucalipto, serviria aos objetivos de estoques de carbono, em detrimento da conservação e uso sustentável da biodiversidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da incorporação de metas que podem comprometer em definitivo a própria sobrevivência da CDB como espaço multilateral de proteção e uso sustentável da biodiversidade, a pluralidade de interesses e as intensas disputas realizadas por países megadiversos e em desenvolvimento, resultaram em importantes indicadores para o período até 2020. Definiu-se que incentivos, inclusive subsídios, prejudiciais à biodiversidade devem ser eliminados ou reformados; estabeleceu-se a redução pela metade das taxas de perda de habitats naturais, inclusive florestas, buscando reduções próximas de zero quando viável;  além da meta de conservação de pelo menos 17 por cento das águas terrestres e fluviais, e 10 por cento das zonas costeiras e marinhas .</p>
<p style="text-align: justify;">Deve-se, todavia, destacar a conquista de se inserir como meta da CDB, a diminuição da taxa de erosão genética de plantas cultivadas e animais domesticados, assim como de seus parentes silvestres, de forma a salvaguardar sua diversidade genética. A perda da diversidade de variedades de sementes e do germoplasma cultivado on farm (nas unidades produtivas) pelos agricultores é assustadora no Brasil e no mundo, decorrente principalmente do aprofundamento da capacidade avassaladora de concentração da cadeia produtiva de sementes transgênicas, principalmente a partir dos anos 90. Neste sentido, a CDB pode empreender esforços junto à FAO, especialmente o Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura (TIRFAA), a fim de conter a dramática perda das espécies cultivadas, na defesa da soberania alimentar dos povos. O Brasil, em vias de regulamentação do TIRFAA, tem um papel fundamental a cumprir neste sentido.</p>
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		<title>Biodiversidade como Mercadoria</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 18:36:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em termos macroeconômicos, os países megadiversos passariam a disputar entre si o novo mercado do “capital natural”, oferecendo “serviços ambientais” mais baratos para os países desenvolvidos que não estariam obrigados a modificar seu padrão de desenvolvimento e consumo. Além disso, o ônus de conservação da natureza seria transferido para os países do Sul, que seriam pagos para manter alguns “serviços” dos ecossistemas e da biodiversidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A recepção do TEEB no Plano Estratégico pela CDB significa a opção por uma única metodologia de valoração econômica da biodiversidade, o que propicia a operacionalização e a integração desta e de seus “serviços ecossistemicos” ao mercado financeiro, de produtos e serviços globais. Para 2020 o que se pretende com a meta 2 é a criação de novos &#8220;produtos de crédito&#8221; e a biodiversidade parece ser o novo produto encontrado, o denominado “capital natural.” (<a href="http://www.revistavalor.com.br/default.aspx?pub=56&amp;edicao=1" target="_blank">revista Valor especial Biodiversidade Capital natural. Outubro 2010</a>). Esta nova acumulação primitiva do capital sobre formas de vida e o meio ambiente é chamada por alguns economistas como “green new deal”, em referência ao “New Deal”, fórmula de política econômica do governo Roosevellt frente à crise dos anos 30, apoiada na teoria do economista John Maynard Keynes que propunha o controle governamental sobre a estrutura produtiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o TEEB e a massiva presença do setor empresarial e corporativo nas negociações de Nagoya, os mecanismos tradicionais de financiamento para garantir políticas públicas efetivas para evitar a perda da diversidade biológica correm o risco de ser rapidamente substituídos, no mainstream do debate, por &#8220;mecanismos inovadores&#8221;, com vistas à geração de mercados em detrimento do cumprimento das obrigações das Partes e objetivos da Convenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Em termos macroeconômicos, os países megadiversos passariam a disputar entre si o novo mercado do “capital natural”, oferecendo “serviços ambientais” mais baratos para os países desenvolvidos que não estariam obrigados a modificar seu padrão de desenvolvimento e consumo. Além disso, o ônus de conservação da natureza seria transferido para os países do Sul, que seriam pagos para manter alguns “serviços” dos ecossistemas e da biodiversidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Historicamente e em todo o mundo, o que vem mantendo a conservação e uso sustentável da biodiversidade são os modos de vida, de ser e fazer dos povos e  comunidades locais, associados à conservação e melhoramento genético da biodiversidade silvestre e cultivada. Fato este reconhecido pela própria Convenção da Biodiversidade em seus arts., 8 ‘j” e 10 “c”, principalmente. Ao impor como meta a incorporação do valor econômico da biodiversidade na contabilidade nacional, a CDB viola um dos seus principais objetivos – o reconhecimento e empoderamento dos povos e comunidades locais.</p>
<p style="text-align: justify;">Colocar preço sobre a biodiversidade e suas funções ecossistêmicas parte da falida fórmula antropocêntrica que coloca o meio ambiente como objeto a ser manipulado e apropriado conforme as necessidades de um determinado tipo de homem – proprietário, branco, consumidor &#8211; e pior, seguindo as demandas da esteira de produção e reprodução do capital. Trata-se do “mais do mesmo”, antigas “soluções” com novas roupagens. As respostas às crises sociais e ambientais partem do mesmo tipo de raciocínio que as criaram: produção de mais produtos sociais como equivalentes de mercadoria, ou seja, a dita “solução” proposta pela TEEB e acatada pela CDB está na criação de mais concentração dos meios de produzir a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta nova abordagem da biodiversidade parte da pré-concepção que o conhecimento científico e legítimo é aquele produzido por especialistas em universidades e laboratórios e que a partir deste conhecimento é que se deve medir o valor da biodiversidade. Este método proposto de valoração, necessariamente leva à fixação de poucas variáveis ou indicadores de diversidade, o que já reduz drasticamente as inúmeras formas de manejo e técnicas sociais não catalogadas dos sistemas locais de conservação e uso sustentável. As comunidades locais ficariam obrigadas, através da assinatura de contratos de prestação de serviços ambientais”, a manterem determinadas quantidade de espécies conservadas num agroecossistema, passando a fiscalizar seus territórios, sob pena de descumprimento contratual, ao invés de serem incentivadas a manejar seus territórios.</p>
<p style="text-align: justify;">O que de fato pode realizar a conservação e uso sustentável da biodiversidade é a garantia do direito à terra e território, a reforma agrária e o direito ao livre uso da biodiversidade pelos povos, comunidades locais, agricultores familiares camponeses e seu fortalecimento através de políticas públicas de proteção e valorização de seus modos de vida.</p>
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		<title>Agrocombustíveis: degradação ambiental com certificação verde?</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 18:33:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laura</dc:creator>
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		<category><![CDATA[violação de direitos humanos]]></category>

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		<description><![CDATA[O governo brasileiro, como grande exportador de etanol da cana-de-açúcar, esforçou-se, nos side-events e com distribuição de materiais, para encobrir a histórica degradação ambiental decorrente dos monocultivos sucro-alcooleiros, assim como outras inúmeras violações de direitos humanos geradas, como a utilização de trabalho escravo e a concentração de terra e renda no país.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Com um posicionamento irresponsável, o Brasil foi o principal negociador que travou as discussões em Nagoya até que se retirasse do texto operativo a referência sobre a aplicação do princípio da precaução sobre a produção de agrocombustíveis. A decisão incorpora os conceitos defendidos pelo Brasil para que as Partes busquem maneiras e meios de promover os aspectos positivos e minimizar os impactos negativos da produção e utilização de biocombustíveis na biodiversidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A decisão aprovada pelas Partes sobre o tema agrocombustíveis e biodiversidade não adotou a recomendação do SBSTAA &#8211; Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e Tecnológico da CDB – que reconhecia a atual falta de certeza científica sobre os possíveis impactos dos agrocombustíveis sobre a diversidade biológica. A recomendação requeria, segundo a abordagem da precaução, a realização de mais estudos, principalmente sobre os impactos à biodiversidade que afetariam as condições socioeconômicas, a segurança alimentar e energética, além da segurança sobre a gestão da terra e território, especialmente dos povos indígenas e comunidades locais.</p>
<p style="text-align: justify;">Parte da sociedade civil brasileira produziu recomendações &#8211; aprovadas em Plenária Nacional e encaminhadas ao governo pré-Nagoya -, para que o Brasil apoiasse a aplicação do principio da precaução na produção de agrocombustíveis e de suas     matérias primas, de acordo com a recomendação XIV/10 B do SBSTAA.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo brasileiro, como grande exportador de etanol da cana-de-açúcar, esforçou-se, nos side-events e com distribuição de materiais, para encobrir a histórica degradação ambiental decorrente dos monocultivos sucro-alcooleiros, assim como outras inúmeras violações de direitos humanos geradas, como a utilização de trabalho escravo e a concentração de terra e renda no país. Com esta postura, o governo representou muito mais os interesses corporativos do setor e se alça à potência energética “limpa” frente ao cenário de crises ambiental e climática, o que pode trazer custos nacionais incomensuráveis, ao meio ambiente e ao próprio controle soberano sobre suas terras.</p>
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		<title>Geoengenharia e Biologia Sintética</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 18:30:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estas atividades se baseiam na manipulação da natureza em grande escala, como o desenvolvimento de vulcões artificiais, semeadura de nuvens ou a fertilização de oceanos. Isso geraria, dentre outras conseqüências o aumento da demanda por terra, biomassa, água e recursos naturais como matéria prima.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A moratória erguida sobre as atividades com geo-engenharia e sobre as pesquisas de campo com vida sintética, através da aplicação do princípio da precaução a estas novas tecnologias, foi de fundamental importância para manter alguma credibilidade da CDB como estrutura multilateral para a proteção do meio ambiente.</p>
<p style="text-align: justify;">Reconhecendo a ausência de bases científicas sólidas e de mecanismos de regulação sobre as atividades com geo-engenharia e biologia sintética, os países-Parte da CDB decidiram que nenhuma atividade neste sentido será realizada até que haja justificativa científica adequada e análise apropriada dos riscos ao meio ambiente e à biodiversidade, assim como dos impactos sociais, econômicos e culturais associados. A única exceção estabelecida pela Partes à proibição destas atividades é com relação às pesquisas em pequena escala que possam ser conduzidas em condições controladas, justificadas pela necessidade de produzir dados científicos específicos e antecedidos por avaliação dos pontenciais impactos ao meio ambiente.</p>
<p style="text-align: justify;">Deste modo, não apenas a fertilização de oceanos, mas as demais atividades de geo-engenharia ligadas às mudanças climáticas estão proibidas. Estas atividades se baseiam na manipulação da natureza em grande escala, como o desenvolvimento de vulcões artificiais, grandes esquemas de semeadura de nuvens, ou a fertilização de oceanos a fim de aumentar a quantidade de algas para captura do excesso de gases estufa. Deste modo, se um país experimentar a tecnologia no ambiente, já estará prejudicando o direito de outros países. Estas atividades podem se converter num confortável dispositivo que alguns governos e empresas utilizam para deixar de tomar medidas que de fato diminuam as emissões de carbono.</p>
<p style="text-align: justify;">Já a biologia sintética se propõe a construir formas de vida utilizando DNA construído em laboratório, como também a redesenhar sistemas biológicos que não existem no mundo natural ou ainda readequar esses sistemas para realizar novas funções. Segundo a ONG canadense ETC Group (<a href="WWW.etcgroup.org/en/issues/syntetic_biology" target="_blank">WWW.etcgroup.org/en/issues/syntetic_biology</a>), com o genoma de quase 4 mil organismos sequenciados, os biólogos sintéticos tem vasta matéria prima para trabalhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Além de lidar com cada gene como se fosse uma mercadoria (invenção patenteada), a ser comprada e vendida no mercado para a construção de formas de vida, os chamados “biobricks”/tijolos biológicos, que são organismos construídos desde os laboratórios, não teriam de passar por nenhuma regra de acesso e repartição de benefícios, incentivando a biopirataria.</p>
<p style="text-align: justify;">Imagine quanto custaria um medicamento qualquer construído a partir de centenas ou milhares de “biobricks” patenteados? Trata-se de mercado e não de conservação do meio ambiente.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta tecnologia está sendo aplicada principalmente na construção de enzimas e microorganismos artificiais destinados à produção de agrocombustíveis e na indústria farmacêutica. O ETC Group alerta que o principal objetivo da biologia sintética é potencializar a transformação de celulose e outros açúcares em combustíveis, substancias químicas ou plásticos, o que geraria, dentre outras conseqüências o aumento da demanda por terra, biomassa, água e recursos naturais como matéria prima.</p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil tem especial interesse na biologia sintética para o desenvolvimento da segunda geração dos agrocombustíveis, que acelera o processo enzimático para aproveitar a biomassa/resíduos que já se obtém ao final do processo produtivo atual. O diesel sintético de cana já está sendo testado na frota de ônibus público em São Paulo, após a liberação comercial em tempo recorde pela CTNBio da levedura da empresa Amyris, que contém tecnologia sintética.</p>
<p style="text-align: justify;">Para mais informações sobre as decisões da CDB acesse:<a href=" http://www.cbd.int/nagoya/outcomes/" target="_blank"> http://www.cbd.int/nagoya/outcomes/</a></p>
<p><strong>Leia também: </strong></p>
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		<title>Encerrados os debates para prevenir perdas da biodiversidade em Nagoya</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2010 20:18:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O “pacote da COP-10” foi aprovado depois de debates duros que avançaram pela madrugada de sábado no Japão. Apesar do descontentamento de países pobres, foram aprovados os pontos mais importantes na conferência sobre biodiversidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Agência Pulsar -<a href="http://www.brasil.agenciapulsar.org/nota.php?id=6923" target="_blank"> Ouça esta reportagem</a>)</p>
<p><a href="http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2010/10/Rumo-a-nagoya.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-3653" title="Rumo a nagoya" src="http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2010/10/Rumo-a-nagoya-150x150.jpg" alt="Rumo a nagoya" width="150" height="150" /></a>O pacote consiste no Protocolo de Acesso e Repartição de Benefícios da Biodiversidade que é o Protocolo de Nagoya, mais um plano estratégico para reduzir a perda de biodiversidade e um plano para garantir o dinheiro necessário.</p>
<p><strong>Acesso e repartição</strong></p>
<p>Apesar de não terem rompido o consenso, Cuba, Venezuela e Bolívia registraram que não concordam com o formato atual do protocolo. Segundo a negociadora boliviana, “o novo protocolo de Nagoya não prioriza a distribuição dos benefícios para os povos”. Os países da África destacaram o mesmo problema sobre repartição dos benefícios.</p>
<p>Para Fernanda Kaigang, única indígena brasileira acompanhando as negociações, indígenas e comunidades tradicionais sairam ganhando da conferência. O acordo só foi possível pelo esforço dos anfitriões. Na madrugada antes das decisões, os japoneses apresentaram um novo rascunho de protocolo reunindo todos os pontos de consenso e outros mais fundamentais para que a lei internacional pudesse funcionar.</p>
<p>Fernanda afirmou que a principal derrota dos indígenas diz respeito ao conhecimento tradicional que n”ao está mais em poder dos povos, mas sim em bibliotecas. O consentimento prévio desse conhecimento já nâo é possível. Mas as comunidades queriam a repartiçâo dos benefícios. Todo o parágrafo sobre este assunto será tema de debates numa próxima reunião sobre o protocolo. Entre os grandes sucessos está o reconhecimento da declaração das nações unidas sobre o direito dos povos.</p>
<p><strong>Metas para 2020</strong></p>
<p>Outro ponto importante foi a aprovação de um plano estratégico. Até 2020, os países querem transformar em áreas protegidas 17% das áreas terrestres e 10% das áreas marinhas e costeiras. Foi incluída a visão do valor econômico da biodiversidade, visto com maus olhos principalmente por grupos de povos e ONGs. Muito se discutiu sobre o caráter de mercado que a Conferência de Diversidade Biológica tomou, a exemplo do que já acontece com a Conferência do Clima.</p>
<p>No plano estratégico também se estabeleceu a redução de subsídios em atividades econômicas que prejudicam o meio ambiente, entre outros pontos.</p>
<p><strong>Recursos</strong></p>
<p>As negociações sobre o terceiro e último grande acordo não foram nada fáceis. Chegaram a plenária final os acalorados debates sobre os mecanismos inovadores para garantir dinheiro. Entre estes mecanismos estão os pagamentos por serviços ambientais. Por iniciativa de Bolívia e Equador e mais tarde com o apoio do Brasil, Uruguai e Cuba, foi incluída na última hora uma referência às decisões da ﻿Conferência Mundial dos Povos sobre Mudanças Climáticas, realizada em Cochabamba.</p>
<p>A intenção é garantir a futura consulta dos membros da Convenção e dos povos sobre estes mecanismos inovadores, que são considerados de mercado. Exemplo destes mecanismos é o REDD Plus, que como o nome indica funciona de modo similar ao mercado do carbono. Este mercado criado na Conferência do Clima recebe críticas porque não muda a base do comportamento. Ao invés de diminuir o consumo especialmente nas nações desenvolvidas e de modificar a maneira como as mercadorias circulam no mundo, o REDD Plus abre a possibilidade das potências continuarem poluindo, desde que financiem a manutenção de áreas naturais.</p>
<p>Não foram acordados valores sobre metas de mobilização de recursos. Estes valores serão definidos na próxima Conferência das Partes da Convenção de Diversidade Biológica. A COP-11 será realizada em Nova Deli, na Índia.</p>
<p>A COP-10 é a 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas. Este é um acordo internacional que tem como principal objetivo diminuir o desaparecimento de espécies de plantas, animais e micro-organismos. (pulsar)</p>
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		<title>Estudo que estipula valor à biodiversidade toma a pauta da CDB</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Oct 2010 17:55:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>laura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os países que participam da CDB estudam seriamente adotar o estudo TEEB (The Economics of Ecosystems &#038; Biodiversity) como o único parâmetro para atingir metas para conservação da biodiversidade. Sociedade civil afirma estar preocupada com uma possível “mercantilização” do tema.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2010/10/borboleta_reduzida.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-3785" title="borboleta_reduzida" src="http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2010/10/borboleta_reduzida-150x150.jpg" alt="borboleta_reduzida" width="150" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Nagoya </strong>– Durante a 10ª reunião da Conferência das Partes (COP 10) da Convenção da Diversidade Biológica – CDB, que ocorre neste mês em Nagoya, um dos assuntos mais discutidos tem sido o estudo elaborado pelo indiano Pavan Sukhdev, denominado TEEB &#8211; The Economics of Ecosystems &amp; Biodiversity, ou em português A economia dos ecossistemas e Biodiversidade. O estudo recebeu ampla divulgação e tem sido visto por muitos países como a única metodologia capaz de cumprir as metas de conservação da biodiversidade estabelecidas para até 2020.</p>
<p style="text-align: justify;">O TEEB é um estudo sobre a biodiversidade, que parte do princípio de que para garantir o uso sustentável dos recursos naturais, é necessário estipular um valor à biodiversidade. O Brasil já possui uma tradução do estudo &#8220;TEEB for  Business&#8221;, feita pela CNI, e o próprio secretário do MMA, Bráulio Dias, reforçou a aplicação do estudo no país. Dias convocou os países a aceitaram o TEEB no plano estratégico e a tirar os colchetes, ou seja, recepcionar o estudo em sua integralidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Representantes da sociedade civil que estão em Nagoya conversaram com parte da delegação governamental brasileira e defenderam outros parâmetros para definição das políticas multilaterais. A análise é que seria temerário a CDB recepcionar um único estudo para a definição de planos de ação nacionais e locais, já que existem diversos outros estudos, em escala local e regional, que tomam como referência outras variáveis e escala. Além disso, a avaliação é de que a proposta viola um dos objetivos principais da CDB, que é a valorização dos conhecimentos tradicionais locais associados ao uso e conservação da biodiversidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o fato é que a CDB, com seus 193 países, está em vias de recepcionar este estudo com um peso impressionante, com reiteradas referências nos textos operativos. Com esta recepção, o TEEB se coloca como um novo paradigma no uso e na conservação da biodiversidade ao defender uma abordagem econômica da biodiversidade, o que modifica totalmente os objetivos da CBD na conservação, uso sustentável e repartição dos benefícios. A preocupação é ainda maior em temas como “Uso sustentável” e, principalmente, pelo texto operativo da Decisão sobre o Plano estratégico, metas e indicadores.</p>
<p style="text-align: justify;">A sociedade civil presente em Nagoya encaminhou uma manifestação aos negociadores do Itamaraty, reforçando a preocupação com a proposta apresentada pelo governo brasileiro. A sugestão é que os países possam levar em consideração outros estudos além do TEEB e que sejam ressaltados outros valores intrínsecos à biodiversidade, como os valores cultural, econômico e espiritual. Uma terceira proposta é que não sejam privilegiados mecanismos inovadores de mercado, em detrimento aos mecanismos já existentes na CDB.</p>
<p style="text-align: justify;">O pedido da sociedade civil reforça ainda a crença no fato de que a conservação e uso sustentável da biodiversidade também se realiza através, e principalmente, da garantia do direito à terra e território, ao livre uso da biodiversidade pelos povos, comunidades locais, agricultores familiares camponeses.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia outras matérias relacionadas:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://terradedireitos.org.br/biblioteca/protocolo-internacional-sobre-transgenicos-e-aprovado-mas-nao-garante-seguranca-efetiva/" target="_blank">Protocolo internacional sobre transgênicos é aprovado, mas não garante segurança efetiva</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Brasil coloca em risco as negociações de proteção a biodiversidade em Nagoya</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Oct 2010 17:59:06 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A postura adotada pelo governo brasileiro levou diversas organizações a encaminharam nessa sexta-feira (08) uma carta ao Presidente Lula, com as justificativas técnicas e jurídicas para defender a necessidade de um seguro como medido de biossegurança.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2010/10/Rumo-a-nagoya.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-3653" title="Rumo a nagoya" src="http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2010/10/Rumo-a-nagoya-150x150.jpg" alt="Rumo a nagoya" width="150" height="150" /></a><strong>Nagoya/Japão –</strong> Desde segunda até essa sexta feira (08), representantes de diversos países têm quebrado a cabeça para desatar um dos nós da COP 10 MOP 5. Nesse momento, os países debatem a previsão de seguro facultativo para os transgênicos, que garantiria cobertura em caso de dano ao meio ambiente e à saúde. Os setores do agronegócio têm pressionado o governo, afirmando que a medida encareceria as atividades de importação e exportação e que representaria uma barreira ao comércio. Coincidentemente, o governo brasileiro apresenta o mesmo argumento para se posicionar contrário a adoção do seguro, ameaçando inclusive não assinar o documento e colocando em risco a efetividade do próprio Protocolo de Cartagena. Nas negociações dessa quinta-feira, o país chegou a sinalizar a possibilidade de seguir o grupo liderado pela Malásia e colaborar numa proposta que contemple os seguros, mas ainda não é certo que o Brasil acatará efetivamente a proposta.</p>
<p>A postura adotada pelo governo brasileiro levou diversas organizações a encaminharam nessa sexta-feira (08) uma carta ao Presidente Lula, com as justificativas técnicas e jurídicas para defender a necessidade de um seguro como medido de biossegurança. Os representantes da sociedade civil afirmam que em 2006, durante as discussões sobre a rotulagem das cargas contendo transgênicos, o governo assumiu a mesma posição contrária. A rotulagem foi aprovada e nenhum prejuízo ao agronegócio foi visto até agora. Pelo contrário, em 2009, as 10 maiores empresas do setor faturaram mais e R$ 95 bilhões.</p>
<p>A análise da sociedade civil é que devem existir mecanismos eficazes de exigibilidade caso ocorram danos ocasionados pelos OVMs. Caso o Brasil não possua um regime forte que identifique o operador da tecnologia como responsável pelos danos, os custos das medidas reparatórias recairão sobre o próprio Estado e, por conseguinte, sobre todos os cidadãos e cidadãs do país.</p>
<p>As rodadas de negociação finalizam nessa sexta-feira e os resultados serão apresentados a partir do dia 11, quando inicia a COP MOP.</p>
<p>Mais informações:</p>
<p>* A assessora Larissa Packer está em Nagoya acompanhando os debates da COP MOP e divulga as informações diariamente pelo twitter da Terra de Direitos (www.twitter.com/terradedireitos).</p>
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