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Atos são realizados pelo país no Dia Internacional do Não Uso dos Agrotóxicos


Em Brasília, grupo de manifestantes protestou no prédio da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Em Curitiba, panfletagem alertou para os riscos do uso de venenos agrícolas.

foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil - BY NC 2.0 

Com informações da Campanha Contra os Agrotóxicos

Nesta quarta-feira (3), dia que marca a luta internacional contra o uso de agrotóxicos, atos e manifestações pela causa foram realizados em 15 estados brasileiros. Sessões de cine-debate, exposição de fotos, aulas públicas, palestras e panfletagens alertaram para os perigos da utilização de venenos na agricultura, que podem ocasionar sérios problemas de saúde e ambientais.

As ações foram organizadas pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, uma articulação entre diversos movimentos sociais e setores da sociedade que se mobiliza contraos impactos dos venenos agrícolas na saúde pública.

Um manifesto pelo Dia Mundial de Luta Contra os Agrotóxicos  também foi divulgado no site da campanha, neste dia 3.
 

Manifestação no CTNBio 

Como ato emblemático, cerca de 100 representantes indígenas, junto de integrantes da Via Campesina, de outros movimentos sociais, sindicatos e da sociedade civil, estiveram na manifestação que ocorreu em frente ao Prédio onde está localizada a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em Brasília.O A CTNBio é o órgão responsável por avaliar e liberar o uso de transgênicos no país.

Os manifestantes também entraram na sala da Comissão, para protestar pelas reuniões que estão sendo realizadas nestes dias 3 e 4, que discutem a liberação comercial de mais 16 plantas geneticamente modificadas. Entre elas está a soja resistente ao 2,4D, um herbicida com comprovados impactos à saúde, que foi banido de países como Noruega, Suécia e Dinamarca.

Dados comprovam que o aparecimento de transgênicos concretizou durante os últimos dez anos um grande aumento no uso de agrotóxicos, além de ocasionar a contaminação genética de plantações não transgênicas.

Os integrantes da Campanha também defendem que a CTNBio seja refundada, com maior discussão na sociedade sobre seu caráter e composição.
 

Panfletagem em Curitiba

Em Curitiba, militantes também se reuniram na Boca Maldita para alertar a população contra o uso de agrotóxicos. Cartazes, batuques e panfletos chamavam a atenção para o fato de o Brasil ser o país que mais utiliza defensivos agrícolas no mundo. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) estimam que a venda de venenos agrícolas no país tenha passado de 800 mil toneladas em 2012 – número que indica um crescimento de mais de 250% nas vendas da última década.

A Terra de Direitos também participou da manifestação.
 

Sobre a data

Bhopal, Índia. Madrugada do dia 3 de dezembro de 1984. Em uma zona densamente povoada, de 27 a 40 toneladas dos gases tóxicos metil isocianato e hidrocianeto, químicos utilizado na elaboração de um praguicida da Corporación Union Carbide, vazam e se dissipam pela cidade, quando os seis sistemas de segurança não funcionam.

30 mil pessoas, oito mil nos três primeiros dias, morreram devido ao acidente e, ainda hoje, estimativas indicam que 150 mil sofrem de doenças crônico-degenerativas causadas pela exposição aos gases letais.

A Union Carbide, posteriormente adquirida pela Dow Química, ainda se nega a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos contaminantes, dificultando que o tratamento médico adequado fosse dado aos indivíduos expostos. A região nunca foi descontaminada e até hoje representa um perigo à população.

O desastre químico foi considerado o pior da história e a data foi estabelecida pela PesticideAction Network (PAN) como o dia internacional do não uso de agrotóxicos. A Dow é hoje uma das 6 gigantes do mercado de venenos e sementes transgênicas, e em 2012 faturou U$ 60 bilhões.
 

Confira mais imagens da ação em Curitiba:






 



 

 

 



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