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VI Congresso Latino-Americano de Organizações do Campo emite moção de repúdio à CTNBio


Foto: CLOC-Via Campesina/Reprodução

Aconteceu de 10 a 17 de abril, na Argentina, o VI Congresso Latino-americano de Organizações do Campo. O evento, que reuniu 1200 delegados da América Latina e Caribe, foi dividido em três principais momentos, a IV Assembleia Continental da Juventude, a Assembleia Continental V Mulheres e o Congresso de Crianças.

Dentre as diretrizes tiradas para o movimento campesino, o Congresso reforçou a importância da agricultura camponesa e indígena e a reforma agrária, como a espinha dorsal dos movimentos que compõem a CLOC- Via Campesina.

Um dos encaminhamentos foi a elaboração de uma moção de repúdio à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança do Brasil e apoio às manifestações de resistência das Mulheres e Homens do Campo, que ressalta os impactos negativos das recentes aprovações da CTNBio a eventos transgênicos, principalmente, a aprovação do primeiro eucalipto transgênico do mundo.

>> Confira a moção: 

Repudiamos veementemente a atuação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança do Brasil, por intermédio de cientistas cooptados por interesses empresariais, promovendo aprovações comerciais de novos eventos transgênicose de biologia sintética, especialmente os relacionados às sementes tolerantes a agrotóxicos cada vez mas nocivos – tais como o 2,4-D, mosquito transgênico ea primeira árvore transgênica de América Latina, o primeiro eucalipto transgênico do mundo. Ressaltamos que os impactos negativos destas aprovações serão sentidos em todo o mundo, especialmente nas populações mais vulneráveis.

Repudiamos a forma como essa Comissão vem realizando suas reuniões, limitando a participação social por diversos mecanismos e contrariando a decisão judicial que, aplicando as leis brasileiras, garante que as reuniões sejam abertas à sociedade.

Repudiamos a ausência de estudos aprofundados sobre os possíveis impactos destes eventos transgênicos, especialmente a ausência de estudos de impacto socioeconômicos.

Apoiamos as ações de resistência das mulheres e homens do campo realizada durante a jornada nacional de lutas, em razãodo 8 de março, consubstanciadasnas ocupações que realizaramna empresa responsável pelo pedido de aprovação comercial (FuturaGene/Suzano), ena Comissão Técnica Nacional de Biossegurança do Brasil, pois representamo inconformismo da sociedade com a aprovação indiscriminada de transgênicos e sem a participação social informada e adequada.

Repudiamos a criminalização dos movimentos sociais, poisacreditamos que uma sociedade justa edemocrática só é possível coma criação de mecanismos adequadose efetivos de participação social.

Afirmamos que o modelo de privatizaçãoe exploração dabioeagrodiversidadeem busca de lucro, defendido pelo agronegocio, tem como resultado a destruição da natureza e é opostoàproposta campesina da agroecologia, única saída frente às crises mundiais relacionadas comafome, a saúde, a proteção da natureza eao clima.

Somamo-nos às companheiras e companheiros do Brasil para dizer: NÃO QUEREMOS OS TRANSGÊNICOS.



Ações: Biodiversidade e Soberania Alimentar