Um passo mais rumo à vitória: Quilombo Paiol de Telha avança na retomada do seu território

Por Assessoria de Comunicação Terra de Direitos 

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Caso Paiol de Telha

Após acordo para definir a posse de parte do território que ocupa, a comunidade quilombola Paiol de Telha teve a garantia de sua vitória na última quarta-feira (16). A juíza Sílvia Regina Salau Brollo, da 11ª Vara Federal de Curitiba, emitiu decisão favorável ao quilombo após audiência de conciliação entre o Paiol de Telha e a Cooperativa Agrária Agroindustrial.

A última conquista dos quilombolas já garantiu a posse definitiva de 10 hectares, área que já está ocupada. Previa, também, a posse de área constante da Matrícula 2.385, até o final deste ano, mesmo que não tivesse ocorrido a titulação definitiva do território.

O Quilombo Paiol de Telha, localizado no município de Reserva do Iguaçu, retoma a área que desde 1860 pertencia a 13 escravos e seus descendentes. Entre as décadas de 1960 e 1970, foram expulsos das terras por imigrantes alemães que fundaram no local a Cooperativa Agrária Agroindustrial Entre Rios.

A nova decisão proferida pela juíza de Curitiba, correspondente a Matrícula 2.385 do CRI da Comarca de Pinhão (PR), garante área que equivale a 168 hectares. À Cooperativa Agrária, a justiça garantiu o direito de colher a atual safra de inverno tendo como data limite para desocupá-lo, 15 de dezembro de 2015.

Essa vitória é resultado da luta sistemática do Quilombo na busca pela garantia de seus direitos. “Nós não roubamos nada, nós estamos em busca do que é nosso, que foi dos escravos herdeiros”, afirmou o vice-presidente da Associação Eliodoro dos Quilombolas do Paiol de Telha presente na audiência. Para ele, a retomada do território não é mais do que a efetivação de um direito retirado dos antepassados.

A audiência que deu essa expressiva vitória aos quilombolas, contou também com a presença da Terra de Direitos, do chefe da Divisão de Ordenamento da Estrutura Fundiária do Incra, representante da SEPPIR, Defensoria Pública da União,  o representante do Ministério Público Federal, João Gualberto Garcez Ramos, da ABIN, Assessoria para conflitos da terra da Polícia Militar.

>> Notícias da Terra de Direitos sobre o caso

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