Brasil de Fato | Apesar de negociações, governo Richa realiza despejo de 4,5 mil sem-terra no Paraná

Famílias resistem neste momento e bloqueiam estrada

Trabalhadores rurais sem-terra bloqueiam a Br-277 no Oeste desde às 6h30, com o apoio de indígenas da região, contra despejo e por reforma agrária / Assessoria de imprensa do MST

Trabalhadores rurais sem-terra bloqueiam a Br-277 no Oeste desde às 6h30, com o apoio de indígenas da região, contra despejo e por reforma agrária / Assessoria de imprensa do MST

Fonte: Brasil de Fato
Por Redação

Na manhã desta quarta-feira (18), um grupo de 500 policiais militares realiza o despejo forçado de área ocupada em Santa Terezinha de Itaipu, região oeste do Paraná, próxima a Foz do Iguaçu.  Apesar da tentativa de negociação por parte de parlamentares, no plano nacional e estadual, na noite de ontem, o governo Beto Richa (PSDB) cumpre a ação na Fazenda Santa Maria, ocupada por cerca de 4500 famílias.

As famílias resistem e bloqueiam neste momento a BR-277 com a queima de caminhões, como forma de protesto. De acordo com informações do local, o governo deslocou o contingente de mil policiais ao todo, 500 deles na ação de despejo na parte da manhã e outros 500 ficaram em cidade próxima.

Reunião não apresentou encaminhamentos 

A fazenda, ocupada em março de 2016, pertence aos irmãos Licínio de Oliveira Machado Filho, presidente da Etesco, e a Sérgio Luiz Cabral de Oliveira Machado, ex-presidente da Transpetro, ambos envolvidos no desvio de dinheiro público na Petrobrás, citados nas delações do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Moura, durante as investigações da Operação Lava Jato, da Policia Federal.

Em abril, foi coordenada pelo Ministério Publico uma reunião com a presença de representantes do governo do estado, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), proprietários da fazenda e com MST.

O resultado da reunião foi que o governo do estado, junto com o Incra, iria fazer uma avaliação na Fazenda Santa Maria, principalmente sobre o corredor da biodiversidade, e analisar outras áreas na região que sejam destinadas a Reforma Agrária. De acordo com Claudio Oliveira, advogado do MST, antes da ação de despejo, “não houve encaminhamento concreto após a reunião e nem retorno sobre esses compromissos”, afirma.

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