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Festas de sementes crioulas se multiplicam no Paraná


Atividades contribuem na preservação e até no resgate de variedade de sementes crioulas consideradas perdidas. 

Feira realizada na Terra Indígena Pinhalzinho, na cidade de Tomazina (PR), já possibilitou recuperação de duas variedades de milho consideradas sagradas. (foto: André Jantara/AS-PTA)

Um lugar de troca e compartilhamento, a prática de Festas e Feiras de Sementes Crioulas tem se multiplicado no Paraná. Das 12 atividades de celebração das sementes que serão realizadas neste ano no estado, duas estão sendo promovidas pela primeira vez. A próxima delas é a 1ª Feira da Semente Crioula de Castro, que será realizada no domingo, dia 19. Produtores de toda a região devem expor diferentes variedades de sementes, que poderão ser trocadas ou comercializadas.

O evento é promovido dentro das comemorações do aniversário de três anos do Acampamento Maria Rosa do Contestado. Desde que foi ocupada, em 24 de agosto de 2015, a área que pertence à União e que era usada de forma irregular para pesquisas do agronegócio agora produz apenas alimentos agroecológicos: livre de venenos e de transgênicos.

Um dos organizadores da Feira de Sementes, o agricultor e integrante da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Celio de Oliveira Meira destaca a importância da preservação das sementes na prática da agroecologia. “As sementes crioulas são mais resistentes, não pegam doenças. Aparece uma ou outra coisa, mas não compromete a plantação”, explica.

Resgate

A realização de festas e feiras de sementes tem contribuído para o resgate de variedades de plantas antes consideradas perdidas por produtores de alguma região do estado. Esse é o caso da Terra Indígena Pinhalzinho, que realizou no dia 11 de agosto a 6ª Feira de Semente Crioula Indígena Y Mãu e Mudas Nativas, na cidade de Tomazina, Norte do Paraná. Através da troca de semente, os indígenas da região conseguiram resgatar duas variedades de milho que consideram sagrado, mas que tinham sido perdidas ao longo dos anos. “A gente também conseguiu fazer semente de árvores, de mudas nativas, de variedades de feijão”, conta Reginaldo Aparecido Alves, um dos coordenadores do evento.

Segundo levantamento da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), há 10 anos, mais de 130 variedades de milho podiam ser encontradas no Paraná. Atualmente, esse número não chega à metade.

Articulação

As festas e feiras de sementes no Paraná são realizadas de forma articulada, através do coletivo Rede Sementes da Agroecologia (ReSa). O grupo, que se organiza desde 2014, foi consolidado em 2016 e reúne atores de diferentes partes do estado que compreendem que é necessária a organização coletiva para fortalecer iniciativas agroecológicas no estado.

A partir da criação da ReSa, foi possível mapear as Feiras e Festas de Sementes Crioulas do Paraná e articular para que as atividades fossem distribuídas ao longo do ano, de forma que não houvesse coincidência de datas. Engenheira agrônoma da Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural (Assessoar) e integrante da ReSa, Janete Fabro avalia que a criação de uma Rede contribuiu para incentivar novas iniciativas de feiras e trocas de sementes. “As organizações que faziam festas de sementes foram animando as demais. Muitas que não promoviam esses eventos voltaram a fazer, e outras cidades, que ainda não tinham, começaram a participar em outros locais e levaram essa atividade para o seu município”, avalia.

Ela destaca que a articulação que possibilitou reunir iniciativas de sementes crioulas de todo o estado tem gerado bons frutos. “Começou a haver um movimento mais consistente de preservação e multiplicação das sementes, e não só de milho e feijão - grãos commodities –, mas também de pequenas culturas: amora, maracujá, hortaliças, frutas. É uma biodiversidade muito grande”, aponta.

Além de contribuir na promoção de atividades agroecológicas, a ReSa também acompanha políticas de valorização da agroecologia e monitora projetos que ameacem a agrobiodiversidade. A Terra de Direitos é uma das organizações que integra a Rede.

Calendário de Festas e Feiras de Sementes no Paraná

18 de agosto
Município: Tibagi (PR)
Evento: 4ª Feira Territorial de Sementes e Mudas Crioulas
Local: A confirmar
Contato: Evandro — (43) 99907–9215

19 de agosto
Município: Castro (PR)
Evento: 1º Feira de Sementes de Castro
Local: Acampamento Maria Rosa do Contestado
Contato: Guilherme — (42) 99966–4553

19 de agosto
Município: Barboza Ferraz (PR)
Evento: 31ª Romaria da Terra
Contato: Juvenal José Rocha — cptparana@gmail.com

26 de agosto
Município: Pinhais (PR)
Evento: 6ª Festa Regional das Sementes Crioulas
Local: Colégio Newton Freire Maia, Estrada da Graciosa 7400
Contato: CPRA — (41) 3544–8100 ou Facebook CPRAgroecologia

31 de agosto e 1 de setembro
Município: São João do Triunfo (PR)
Evento: 16ª Feira Regional de Sementes Crioulas
Local: Parque Municipal de eventos Francisco Neves Filho
Contato: ASPTA — (42) 3252–7290

7 e 8 de setembro
Município: Guaraqueçaba (PR)
Evento: 1ª Feira de Sementes Crioulas dos Pescadores e das Pescadoras Artesanais e Caíçaras
Local: Espaço Marista (PUC-PR)
Contato: Facebook Pescadoras Artesanais do Litoral do Paraná em Movimento — PEART

16 de setembro
Município: Araucária (PR)
Evento: Encontro de Sementes
Local: Comunidade Rural
Contato: Valdecir — (41) 99963–3949

22 de Setembro
Município: Rio Azul (PR)
Evento: 7ª Feira Municipal de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade
Local: Pavilhão da Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus
Contato: Sindicato dos Trabalhadores Rurais — (42) 3463–1107

23 de setembro

Município: Mandirituba (PR)
Evento: 2ª Festa dos Guardiões de Sementes Crioulas
Local: ABAI, Estrada Municipal de Jesus Biscaia s/n
Contato: ABAI — (41) 3626–2264

 

 



Ações: Biodiversidade e Soberania Alimentar