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Especial Sou Mulher e Luto Por | Alessandra Korap Munduruku


A luta de Alessandra Korap é gigante. Liderança Munduruku, a indígena que vive na Aldeia Praia do Índio, em Itaituba (PA), briga – entre outras coisas – com os megaempreendimentos que ameaçam os povos do Tapajós. Esses projetos são pequenos diante da grandeza das lutas travadas por Alessandra e seus companheiros e companheiras. “Eu sou uma guerreira, sou mãe, sou esposa, sou filha, sou tudo de um pouco”, ela conta. 

Na resistência contra a construção da Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós – que atualmente está suspensa – e na reivindicação pelo direito dos povos indígenas serem consultados na construção da Ferrogrão, as mulheres têm alcançado outras importantes conquistas: como o respeito e o reconhecimento de seus companheiros. “Antes ela [a mulher indígena] não tinha como lutar na frente, mas hoje ela tá muito atuante. Quando ela vê o sofrimento do filho, quando ela vê o sofrimento do rio, da terra, ela vê que tudo isso não pode ser derrubado. Então vai em frente e luta”, destaca.

Coordenadora da Associação Indígena Pariri – que responde por 35 famílias distribuídas em dez aldeias no Médio Tapajós (PA) –, Alessandra sempre lembra que a luta indígena é muito grande, e se soma a luta de outros povos e comunidades, como quilombolas, ribeirinhas e mulheres negras. E ela ressalta: a luta travada pelas indígenas é sempre coletiva: “A luta das mulheres ela nunca tá só: ela tá com seu marido, com seu filho, com seu pai, com seus irmãos, com seus parentes, com seu povo”.

Para outras mulheres, ela deixa um conselho: “A luta tem que continuar. Todas as mulheres que pensam que são fracassadas, nunca desistam. O objetivo é sempre persistir, persistir e, persistir. Hoje nós somos resistência, justamente porque nós persistimos muito”. 
E se tentarem diminuir a sua voz, ela também sugere: “Fale mais alto”. Mas entre todos os seus conselhos, o que marca mais é a sugestão de levar tudo com bom humor.

“Sempre falo que a gente tem que rir muito pra continuar a luta. A nossa luta é muito grande temos que continuar rindo pros nossos parentes, pros outros seres, pra pessoa que tá nossa frente, no nosso lado, dar as mãos e dizer: ‘vamos caminhar junto e ninguém larga a mão de ninguém, porque o que nos fortalece é a união de todos’”. 

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Ações: Defensores e Defensoras de Direitos Humanos