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Organizações denunciam novo ataque da Fazenda Cachoeira do Estrondo às comunidades geraizeiras (BA)


No sábado (17) um geraizeiro foi baleado por um segurança privado da Fazenda. Episódio se soma à um histórico de violências

Geraizeiro baleado pela ação de segurança privado da fazenda. Foto: Reprodução

O Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH), rede composta por mais de 35 organizações, entre eles a Terra de Direitos, e movimentos populares, denuncia, em nota pública lançada na tarde desta segunda-feira (20), novo ato de violência cometido contra as comunidades geraizeiras do oeste da Bahia e defensores e defensoras de direitos humanos.

No novo episódio, um geraizeiro foi baleado dentro do seu território tradicional pelos agentes de segurança privada que atende ao complexo de fazendas Condomínio Cachoeira do Estrondo. “Fernando Ferreira Lima foi baleado e o projétil atravessou a perna da vítima que ficará afastada do trabalho por meses e, consequentemente, sem conseguir garantir o sustento da sua família”, diz a nota.

As comunidades tradicionais geraizeiras de fundos e fechos de pasto são formadas por famílias que ocupam há muitos anos a região, sobretudo, do oeste da Bahia. A violência contra estas comunidades já foi objeto de denúncia do Comitê, como aponta a nota.

“Até o momento, nenhuma resposta foi dada aos documentos encaminhados. Diante do silêncio das autoridades acionadas e preocupados com o aumento da violência e vulnerabilidade dessas comunidades, as organizações do Comitê, juntamente com representantes do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), pretendem organizar, nos próximos 60 dias, uma ida ao território das comunidades no oeste da Bahia e verificar “in loco” essa situação”, diz outro trecho da nota

 

Veja abaixo a nota na íntegra

A Rede de mais de 35 organizações e movimentos sociais que compõem o Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH), vem novamente denunciar ato de violência contra as comunidades geraizeiras do oeste da Bahia e defensores e defensoras de direitos humanos. Na tarde de sábado (17), um geraizeiro foi baleado dentro de seu território tradicional por “agentes de segurança” da empresa “Estrela Guia”, prestadora de serviços de “segurança” do complexo de fazendas Condomínio Cachoeira do Estrondo.

A Associação dos Advogados dos Trabalhadores Rurais (AATR) da Bahia divulgou nota em que denuncia o ataque e o descreve em detalhes, além de resgatar o histórico de violações e irregularidades que envolvem o complexo de fazendas dentro do território dessas comunidades. Fernando Ferreira Lima foi baleado e o projétil atravessou a perna da vítima que ficará afastada do trabalho por meses e, consequentemente, sem conseguir garantir o sustento da sua família.

Em junho desse ano, o Comitê já havia recebido denúncias da AATR sobre situações frequentes de violência por parte de representantes desse empreendimento contra as comunidades. As denúncias foram encaminhadas ao Secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Teles Barbosa, ao Corregedor-Geral do Mistério Público do estado, Zuval Gonçalves Ferreira e à Secretária de Promoção de Igualdade Racial baiana, Fabya Reis. Além da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Até o momento, nenhuma resposta foi dada aos documentos encaminhados. Diante do silêncio das autoridades acionadas e preocupados com o aumento da violência e vulnerabilidade dessas comunidades, as organizações do Comitê, juntamente com representantes do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), pretendem organizar, nos próximos 60 dias, uma ida ao território das comunidades no oeste da Bahia e verificar “in loco” essa situação.  Esse é o sexto ataque sofrido pelas comunidades em 2019, por parte da empresa que insiste em invadir o território dos/as geraizeiros/as. Em 1999, o Instituto Nacional de Colonização e da Reforma Agrária (Incra) considerou o Complexo Cachoeira do Estrondo como um dos maiores casos de grilagem de terras do país. Foram mais de 440 mil hectares apropriados pelas empresas por meio de representantes legais do empreendimento. Outras denúncias também apontam o uso de trabalho análogo à escravidão e autuações por crimes ambientais.

Brasília, 20 de agosto de 2019

 



Ações: Defensores e Defensoras de Direitos Humanos