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MST realiza ato em defesa dos trabalhadores e militantes de movimentos sociais


Manifestação acontece dias após morte de três pessoas da mesma família de assentados. No Paraná, outros casos de militantes ameaçados foram registrados.

Em protesto ao assassinato de três pessoas da mesma família de assentados, integrantes e apoiadores do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram no último dia 30 o 'Ato em defesa da paz, justiça e segurança de todos os trabalhadores do campo e da cidade'.

Saindo de Rio Bonito do Iguaçu/PR, cidade onde aconteceu o crime, os manifestantes seguiram em carros e ônibus até a praça Nogueira do Amaral, em Laranjeiras do Sul. Ali, mais de 300 pessoas manifestaram a indignação com a morte dos companheiros.

“Para nossos mortos, nenhum minuto de silêncio, mas uma vida inteira de luta”, declara Antônio de Miranda, representante da coordenação do MST.

A insegurança dos trabalhadores do campo também foi discutida durante o evento. Segundo relatos, é comum a realização de rondas policiais e agressões infundadas contra os moradores de assentamentos da região. Os manifestantes também seguiram em caminhada até a delegacia de polícia da cidade. Ali, entregaram um manifesto para agilizar a investigação do crime.

Após, seguiram para o Fórum de Laranjeiras do Sul, para protestar pela decisão do juiz que determinou a reintegração de posse em terreno da empresa Araupel,  onde está acampado o movimento.

Integrante da Terra de Direitos acompanhou a manifestação. Representantes da Via Campesina, da Universidade Federal da Fronteira Sul, da Câmara de Vereadores de Rio Bonito do Iguaçu e do Governo do Estado também compareceram ao ato. 

Sobre o caso

No último dia 20, o casal Elias e Isabel Casagrande e o neto Luiz Fernando, de 2 anos, foram  sequestrados e assassinados no Assentamento Ireno Alves, em Rio Bonito do Iguaçu. Assaltos nas residências da região já haviam sido registrados e denunciados à polícia anteriormente, sem que nada tivesse sido feito. A morte da família é mais um retrato que resulta da falta de ações e de políticas públicas por parte das autoridades competentes.

As vítimas acampavam em assentamento em terreno da empresa Araupel, maior empresa de reflorestamento do Sul do país. Assaltos e ameaças já haviam sido relatos na região. A morosidade nas investigações e ação violenta da polícia dentro dos acampamentos retrata a impunidade dos detentores do capital e donos de latifúndios. 

Outras ameaças

Infelizmente, a morte da família Casagrande é mais um caso da falta de ações de proteção contra os militantes de movimentos sociais. Lideranças do MST recebem ameaças de morte, sem que maiores providências de segurança sejam tomadas.

Em janeiro deste ano, Antônio de Miranda, dirigente nacional do MST, registrou um boletim de ocorrência em razão das constantes ameaças de morte que vem recebendo. Ligações anônimas e informações da contratação de pistoleiros para execução geram temor e insegurança. Além disso, indícios também apontam que ligações partiram da Sede da Polícia Militar de Laranjeiras do Sul.

Outro exemplo da morosidade de ações na proteção de ameaçados é Hamilton José da Silva, representante faxinalense do Faxinal dos Ribeiros, em Pinhão/PR. A liderança recebe ameaças de um pistoleiro de uma madeireira desde novembro de 2014. Entre as razões para a intimidação, está a de participar em processos de proteção ambiental na região. Apesar de citar na denúncia o nome do homem que faz as ameaças, uma audiência foi marcada para apenas maio deste ano.



Ações: Conflitos Fundiários, Defensores e Defensoras de Direitos Humanos