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Manifestantes acampam na BR 163, no Pará, e fecham um dos principais corredores de grãos do país


Foto: MAB

Na manhã da última terça-feira (8) centenas de pessoas da comunidade Campo Verde no município de Itaituba, sudoeste do Pará, fizeram protesto na BR 163, próxima a Rodovia Transamazônica, alvo das reivindicações e um dos principais corredores para escoamento de grãos da região central do Brasil.

O ato, denominado “Acampamento em defesa da Vida e do Território”, se estendeu e, até o momento, cerca de 500 pessoas de comunidades próximas a região continuam no local.

Agregando pautas comuns as comunidades, o movimento conseguiu unificar as reivindicações e pautá-las de forma unificada, sistematizando 15 pontos, deliberados em assembléia geral dos comunitários, que vão desde a construção de pontes, posto de correio e escolas, até a implementação de projetos de assentamento e implantação do Projeto Luz Para Todos em comunidades da região.

Em conversa com a Terra de Direitos, Jurandir, da Comissão Pastoral da Terra e morador da comunidade de Campo Verde, afirmou que a comunidade está totalmente abandonada e que, para ele, agrupar pessoas trazendo pautas da região é o grande mote do protesto. “Este momento é muito importante para reivindicar nossos direitos e brigar por eles”, declarou.

A poeira e as doenças provocadas pela situação de insalubridade dos locais próximos a Rodovia e as BR’s, onde algumas famílias moram, foi uma das questões mais problematizadas durante o protesto. A falta de energia elétrica e outros direitos básicos na região contrapõem a magnitude do corredor do agronegócio, utilizado para transportar soja e milho da região amazônica para países da Europa. Assim, a BR 136 tem uma circulação média de 450 carretas por dia, cada uma com cerca de 20 a 30 toneladas de grãos.

Fred Vieira, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) afirma que o movimento apoia qualquer manifestação que vise o bem dos trabalhadores e que este é um momento histórico para as comunidades da região. “É um momento importante por que as contradições vão ficando mais claras para os trabalhadores e eles vão percebendo que se não tiver pressão popular, os direitos básicos não serão garantidos”, afirmou Vieira.

Na manhã dessa quarta-feira (9) a Polícia Rodoviária Federal esteve no local e se comprometeu a intermediar as relações entre órgãos públicos e seus respectivos responsáveis, e comunidade.

Mobilização justa e estratégica

Os conflitos que acometem boa parte da região da Rodovia Transamazônica são intrinsecamente ligados a interesses econômicos locais. Para o representante do MAB esses conflitos fazem parte da construção de um novo ciclo de desenvolvimento econômico. “Nós temos por um lado uma abertura que beneficia o capital e por outro lado nós temos uma ausência de Estado que não está nem aí pros trabalhadores”, afirmou.

O cenário que ele chama de “falso desenvolvimento” é impulsionado pelos mega projetos e gerenciado pela política do Governo Federal, assim como o agronegócio, a construção de portos e hidrelétricas. Fred ressalta que o desenvolvimento propagandeado na região nunca representou melhoria na vida da população local.

“É o que vem acontecendo na região com o falso discurso de desenvolvimento e com a promessa de que agora a região vai ter uma nova cara e tomar um novo rumo”, denuncia Vieira, prevendo o final dessa situação para os trabalhadores. “Pelo andar da carruagem percebemos que o rumo que essa história vai tomar, mais uma vez, é os trabalhadores com uma mão na frente e outra atrás, enquanto a capital vai avançado”, declarou.

 



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